Tags

, , , , , , , , , , , ,

No Auditório Sá de Miranda, em Braga, após uma hora de espera, a ansiedade crescente foi resolvida com uma voz, que cai nos ouvidos como um fio de água que se contorce com o sopro de um doce vibrato.

O espaço era pequeno e intimista, e estava rodeado de pessoas que, em silêncio, partilhavam um sentimento, quase lamechas, que era sempre doseado com um inesperado sentido de humor, já lhe conhecia a simpatia, mas as piadas foram uma surpresa.

A presença em palco é uma característica que pode ser moldada pelos artísticas, mas a Anneke faz-nos sentir amigos dela, próximos, como se a encontrássemos por acaso e nos falasse da vida com música, simples e precisa como um batimento cardíaco.

Ela foi acompanhada nas últimas músicas pelo multi-instrumentista Daniel Cardoso, que fez uns arranjos excelentes para piano em músicas como a “Beautiful One ” e “Blower’s Daughter”.

De notar que este concerto foi aberto pelo guitarrista Rui Carvalho, de nome artístico “Filho da Mãe”, e foi outra surpresa pela qualidade. Instrumentais da sua autoria, com uma técnica espantosa. A Anneke confessou-se constrangida por ir tocar guitarra depois dele.

Um dos meus objectivos neste concerto, era poder falar com ela, e conseguir um autógrafo num bilhete para um concerto da sua banda, Agua de Annique, que era para ter visto em Amsterdam, na Holanda. Não vi, porque regressei a Portugal, antes do concerto acontecer. Isto porque me enganei na data. Perfeitamente normal, confundir 12 de Fevereiro com 12 de Janeiro, e gastar 20€…Ela achou piada, ou estava-se a rir do meu inglês enferrujado e meio atrapalhado por estar a falar com uma tipa, cuja voz faz parte da banda sonora da minha adolescência, também achou piada a isso.