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Cheguei  à estação ainda a tempo de ver partir o comboio que me ia levar. Fui rude na hora de perguntar por alternativas ao que partiria uma sonolenta hora mais tarde. Responderam-me com a mesma rudeza, 6.50€ para Viana ás 8:15.

Entrei, sentei-me, e apercebi-me que o bilhete tinha um número, 817. Pensei que seria a localização do lugar onde me deveria sentar, pensado estar a ocupar um que não me pertencia. Olhei paro o lado, e perguntei se os lugares estavam marcados. Antes dela responder, como soprar o pó de um retrato, revelou-se o rosto, “817  deve ser o número do comboio”, disse-me.

A atracção não foi mais do que aquela inerente a encontros promovidos pela aleatoriedade do Universo, o paradoxal fado da Humanidade,  encontrar no caos as respostas mais concretas, quando faz as perguntas mais vagas.

Despedi-mo-nos com pena de não sermos um para o outro, aquilo que tanto procuramos, eu mais imprudentemente, como um ladrão que foge pelo meio da multidão.