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Este foi o casting de um rapaz que tocou Vivaldi na guitarra eléctrica, no novo programa da SIC “Portugal Tem Talento” (não houve já um qualquer chamado “Aqui há talento” na RTP?! é tipo aqueles filmes que estreiam pela 15ª vez). O som da guitarra é um bocado “sujo”, ele parece-me ter uma técnica razoável, é bastante novo, tem muito tempo para aprender, mas não é  essa a questão. O problema que foi a resposta que lhe deram quando ele apresentou a sua interpretação no programa:

“Para quem gosta de heavy metal e vem aqui tocar Vivaldi, não percebo…”

Para quem está num júri de um programa onde se avaliam talentos, desconhecer esta realidade do metal, coisa que se faz desde que a guitarra é conhecida por esse nome, não fica lá muito bem, mas eu percebo perfeitamente.

Começo já com um exemplo de tipos que tiveram essa ignóbil ideia de tocar clássico na guitarra eléctrica, até lhe deram um nome, Neoclassic.

Eis o inevitável, polémico, tão arrogante como marcante, Yngwie Malmsteen. Quer se goste dele ou não, é incontornável. Ele usa e abusa do clássico, e tem momentos fantástico, embora “meta notas a mais”, de vez em quando. A “Far Beyond The Sun” com a Filarmónica do Japão é um deles.

Embora a guitarra clássica não seja a sua especialidade, e com as cordas de nylon a serem palhetadas, com a fúria usada numa guitarra eléctrica, a soar algo agressivas, esta introdução da “Black Star” onde o Malmsteen toca Bach é bem interessante.

A sua maior influência, mas mais subtil na forma como usa elementos clássicos, Ritchie Blackmore.

Para se fazer uma critica de música, não é preciso  executar melhor do que o alvo da mesma, mas é imperioso que se conheça aquilo de que se fala. Não tenho nada contra a pessoa do júri que disse esta parvoíce, simplesmente desconhece essa realidade. Há muito que os músicos deste estilo convivem com a ignorância dos outros, mas foi o caminho que escolheram. Fizeram bem, assim estão a salvo de obrigações comerciais e podem prosseguir com toda a criatividade e ousadia.

A anterior chamava-se “Speed Metal Symphony”, dos Cacophony, uma banda que tem um duo de guitarristas virtuosos, o Jason Becker e o Marty Friedman. É mais um exemplo daquilo que parece uma coisa estranha a pessoas encarregues de julgar o talento dos outros.

O Randy Rhoads, outro ícone da guitarra eléctrico e do metal com influências do clássico, tem num clássico do Heavy-Metal, a “Mr. Crowley” do Ozzy Osbourne, um conjunto de solos plenos de elementos clássicos.

Os Angra, e uma carrada de outras bandas introduzem elementos clássicos na sua música, estamos a falar de Heavy-Metal. É banalíssimo isto acontecer.

E a lista de  guitarristas e bandas com influências clássicas óbvias pode-se alongar, foi muita gente a explorar esta ideia, por ignorância ou preconceito, não são muito conhecidos no mainstream, mas também não vale a pena queixarem-se, toda a gente sabe as regras do jogo.

ps: O júri também podia ter visto este filme, o “Crossroads”, onde o Steve Vai leva uma coça na guitarra do puto que fez o “Karate Kid”😛 Tocam o Caprice nº5 do Paganini.