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“Nós, desempregados, ‘quinhentoseuristas’ e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal”

A minha geração, e tomo a liberdade de considerar fazer parte este intervalo etário, as pessoas que nasceram depois do 25 de Abril até ao final da década de 80, tem sido alvo de múltiplas etiquetas, máscaras de teses catastróficas.

Recentemente, e utilizando todo aquele conhecimento que obtivemos de cursos, pós-graduações, bolsas de investigação, e da argúcia fruto da esquizofrenia educativa, que nos tem tido como cobaias de vários sistemas importados, intitula-mo-nos de “geração à rasca”. Fazendo eu parte desta geração, temo que o objectivo seja desenrascar…

Esta geração não pode perder a oportunidade de não reivindicar mais subsídios e ajudas, tal como um menino mimado pede ao pai, temos de ser nós a criar as nossas oportunidades. Mas desenganemo-nos, esta manifestação já tem a conotação de um coro de queixumes ao som de Deolinda.  Pior ainda, vai ser muito mal frequentada, o PCP irá marcar presença, sublinhando a politiquice do costume.

Não me consigo associar à manifestação, num contexto de “coitadinhos de nós que fomos enganados”. Concordo que se faça barulho, mas quem andou na universidade, sabe ou deverá saber, que a massificação do ensino superior resulta num maior número de pessoas a concorrer a um lugar. Fala-se em desilusão, que os nossos pais nos convenceram que se tivéssemos um grau académico elevado teríamos emprego garantido, e remuneração adequada. De uma forma melhor ou pior, correspondendo ou não ás expectativas de cada um, a maioria dos licenciados têm emprego.As entidades empregadoras, não têm a obrigação de nos dar emprego, apenas porque somos licenciados, apenas o mérito deve ser recompensado.

Os direito adquiridos são uma ilusão que nos alimentou esperanças de facilidade, se calhar nem foram esperanças, talvez os nossos sentidos estivessem adormecidos, uma anestesia colectiva que nos retirou o discernimento para decidir o que era melhor para nós,  o que realmente queríamos para a nossa vida e lutar por isso, apenas com as nossas forças. Eu pertenço a esta geração, e faço parte dos muitos que se “lançaram para o mato”. Enquanto frequentei a universidade, na generalidade, não senti a sede de conhecimento nos outros, a vontade de aprender mais e ir mais além, não me surpreende esta situação. Sublinho generalidade, porque no meio disto tudo, há uma elite que se mexeu e são dos melhores em qualquer lado do mundo.

As reivindicações desta geração não podem assentar no principio de que nos estão a ser vedados privilégios que os nossos pais tinham, fomos tratados como porcelana chinesa, isolados dos males do mundo, vítimas de um certo paternalismo, consequência de um amor que viveu tempos de carência. Nunca experimentamos o medo de sermos chamados para uma guerra, não vivemos a glória de uma conquista colectiva como o 25 de Abril, não temos a preocupação em sobreviver cada dia, de ter de fugir do país ás escondidas com medo da PIDE. Sem humildade de compreender  aquilo que os nossos pais fizeram por nós, não seremos mais do que putos mimados a chorar no corredor do supermercado.

Há uma pergunta que devemos fazer a nós mesmos. Se eu for suficientemente competente, consigo o que quero? Tenho a oportunidade ser bom?

Nessa manifestação pede-se que os participantes levem uma folha A4, assinalando os problemas que motivam o protesto, e respectivas propostas de resolução. Será aqui que se faz a diferença, com ideias concretas.

“Nós, desempregados, ‘quinhentoseuristas’ e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal