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Depois do Congresso do PS, enrolei a bandeira norte-coreana, e fechei a janela com enorme desilusão. Estive lá horas a segurar os confetis, à espera que a parada militar, de tanques e  soldados engomados avançando geometricamente,  desfilasse pela rua, com o Sócrates lançar beijos à multidão em delírio.

Houve um senhora que a meio da festa disse: “Isto é tão lindo, mas nem tudo foram rosas” É  aquela pessoa que diz que é preciso lavar os pratos depois de uma grande jantarada. Vão ser os próximos convivas a lavar, mas a loiça já se amontoou até ao tecto, e a gordura  secou irremediavelmente.

Diz-se que é um vexame, um país viver sob o protectorado do FMI, admito, o Paulo Portas disse, seguido de uma enunciação de siglas em crescendo de firmeza na voz. Para mim um vexame,  é Portugal ser um dos países da OCDE onde mais se trabalha, e menos produtividade se tem. Acompanhado de uma crescente taxa de desemprego. Par anão falar das mútuas acusações de políticas que choram com a abstinência e falta de interesse pela politica pela parte do povo, que viaja em turística ao contrário dos eurodeputados. Demagogia? Deixo isso para as baixas patentes de cada partido que derramam ressentimento semanalmente.

Voltando à relação horas de trabalho\produtividade, é penoso saber isto. Não valerá a pena exigir mais esforço das pessoas, se o resultado não é bom. Por isso, a minha esperança não é o imediatismo estapafúrdio das medidas do FMI, que não estão a resultar na Irlanda e Grécia, mas num futuro onde os patrões sejam competentes, e as organizações premeiem o mérito, e não vivam à custa dos trabalhadores. É a minha utopia política.

Pequeno detalhe. Foi preciso o PS organizar o seu próprio funeral, para que os notáveis economistas vislumbrassem motivos de suspeitas em relação ás agências de rating, e se manifestassem de forma concreta, “tendo em conta que alguns destes organismos são propriedade de fundos que investem na dívida pública portuguesa.” Defendo o mercado livre, mas não consigo encontrar um ponto de equilíbrio, onde o poder não fosse um vórtice de mais poder.

Parece que o Benfica apagou a luz do estádio, escurecendo tão luminosa vitória, um raio de luz em obscura História. Vamo-nos rindo. Acho que o FMI, liderado por senhores nórdicos de “ventas” vincadas, cujos nomes  e respectivas “ventas” iremos decorar, não estão preparado para este país com uma auto-consciência esquizofrénica, que não admite consultas de psiquiatria.

ps: Peço desculpa pela ausência, sem que este pedido de desculpas oculte qualquer pretenção, mas tenho estado ocupado a contribuir para as estatísticas da OCDE.