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Vai haver muitos fãs a detestar o novo álbum dos Dream Theater, “A Dramatic Turn of Events”. Actualmente, o metal está esmagado pelo peso das guitarras afinadas quase abaixo do mínimo da audição humana, um pedal-duplo ligado a um motor de tractor, e a criatividade ameaçada pelo contínuo espremer das mesmas ideias.

Os Dream Thetaer estavam a sofrer um pouco deste espremer de ideias, e essa terá sido a causa principal da saída do Mike Portnoy, um acontecimento que anunciava um cataclismo musical na banda, mas que culminou com uma frescura nova no som da banda. Sem querer tirar conclusões precipitadas, se calhar o Portnoy era um espartilho criativo, tornando o som de Dream Theater mais cru e directo. O som da bateria mudou, prefiro este, quer no álbum, quer ao vivo, e já tive o privilégio de testemunhar. Tem o volume e o timbre certos.

Este álbum tem uma luminosidade diferente dos anteriores da década passada, foi com se eles abrissem a janela do quarto, e deixassem a luz pintar a penumbra. Sem reviver o passado, a sonoridade de “Images & Words” está presente como há muito não se ouvia.

Os DT sempre procuraram evoluir, e empenham-se em administrar clinicamente a dose certa do peso do metal, melodias melosas, orquestração não meramente decorativa. Não hesitam em procurar estilos e sonoridades diferentes. As várias forma de expressão musical não são mutalmente exclusivas, e os fãs de Dream Theater terão de ser pessoas de espírito aberto. Eu confesso que estranhei alguns álbuns da banda, o “Six Degrees Of Inner Turbulence” foi um deles, agora à distância digo que é um grande álbum. Difícil de interiorizar, mas essas coisas são as melhores.

A técnica é para eles um meio de expressão, que não oferece qualquer barreira, isto só acontece quando deixa de ser um problema. Exemplo disso é o solo do Petrucci na “Breaking All Illusions”, onde ele volta a homenagear a guitarra em todo os eu esplendor, um equilíbrio perfeito entre virtuosismo e feeling, mais um vez, pondo o ponto final nas discussões à volta da ideia de que se tem uma coisa ou outra.

A “Build Me Up, Break Me Down” é a ligação com os álbuns anteriores, encaixava perfeitamente no “Octavarium”, e após a “On the Backs of Angels”, quem ouvir o álbum pela ordem original, sentirá que nada tem de novo, será apenas mais uma peça na colecção. É na “Lost Not Forgotten”, que após uma introdução de piano à la Rudess, que o álbum é verdadeiramente revelado. A melodia da guitarra, o ritmo da bateria e do baixo, leva-nos para o ambiente da “Under A Glass Moon”,viagem interrompida por uma insane sequência arpejos, um espécie de banda sonora de um hospício onde as pessoas correm desenfreadamente de um lado para o outro.

Este álbum tem 3 baladas, designação de músicas em álbuns de metal onde a guitarra não tem distorção, e pode-se concluir precipitadamente que é um álbum mais acessível, não é o caso. Qualquer uma destas conserva o felling da banda, a “Far From Heaven” é um exemplo, e tem uma letra excelente, da autoria do vocalista James LaBrie. Este teve uma participação mais activa na composição, tal como o baixista Jonh Myung.  A saída do Portnoy, dá a sensação de ter aberto portas para novas direcções, as mudanças bruscas por vezes fazem bem. O Prog é isto, uma designação não de um estilo, mas de um conjunto de influências e pontos de vista, orientados numa direcção. A “This is Life” é mais um exemplo de direcções musicais impensáveis para bandas de metal fora do progressivo. Uma estrutura perfeitamente standard, verso-refrão-solo-final em apoteose, mas tal como os meus almoços que começam sempre com a sopa, metade da salada, e prato principal alternado com a metade restante da salada, não é rotina que determina o sabor, é a qualidade que faz a diferença. Quem quiser ser verdadeiramente surpreendido deverá ouvir Jonh Cage ou Béla Bartók.

“Dream Theater, the biggest band that now one knows about”. A seguir a Rush.