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Democracia é isto. Os discursos oficiais apelam à participação cívica, soa tão bem durante as campanhas eleitorais e comemorações de datas que nos lembram de acontecimentos que nunca vivemos, mas não podemos esquecer. Num momento crítico, o primeiro-ministro grego convoca os cidadãos para referendar novas medidas que lhes vão custar a soberania e sabe-se lá mais o quê, “um sim ou não ao euro”, disse ele perante a estupefacção dos  que emprestam o dinheiro. Os comentadores políticos, na generalidade, olham para aquele país com a mesma curiosidade mórbida que um transeunte olha para um acidente rodoviário. A máscara de pena no rosto,   “ainda bem que não fui eu”.

A nossa democracia não é directa, é representativa. Elegemos pessoas de reconhecida competência para tomarem decisões fora do nosso alcance intelectual. Digo isto sem muita ironia, há decisões que não queria ver na mão de alguma pessoas, e lirismos à parte, o povo tem de ter a última palavra. Nenhum grego elegeu, directamente, Merkel ou Sarkoy ou qualquer um dos outros indecifráveis credores. Há um compromisso com a Europa? Não sei se será compromisso ou chantagem.

Eu sou apologista da União Europeia por principio, mas isto que nós temos não é união, pois num momento de aperto, cai a pantomina ideológica, deixando à vista a tirania ancestral, da qual nunca nos livramos como Humanidade, apenas se lhe procurou uma fundamentação.