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Ide mas é trabalhar!, dizia um homem cansado enquanto pagava a despesa. Não sou  a favor de greves, mas se não fizerem barulho estamos fodidos. Ouvia-se por detrás do balcão, contava o troco, espreitando por cima dos óculos. Se te puserem a mão no cu, também a sacodes! Fez o gesto. Não sou a favor nem contra as greves, mas…Pedi-lhe dois pães. Resmungava em silêncio por tão mísero e habitual pedido. Na televisão, pendurada no tecto do café vazio, não se falava de outra coisa. Alguns ilustres, a malta do costume,  falam de boca cheia, diz que as greves estão fora de moda, há outras formas de as pessoas participarem na causa pública, o voto.

Cheguei a casa e comecei a escrever isto. Na stream da futura ex-RTP, não tenho televisão, é quase hora do Telejornal, pede-se 18 e meio pela montra, é pouco, a viagem é cara e  a margem curta, não ganhou, parece que todos perdemos. A simpatia sincera do apresentador e a saloiice ainda mais sincera envergonham o país, diz que não é serviço público. Pelo menos este não fez greve. No direito de antena reivindicam-se direitos, a ANECRA diz que como dantes vamos dobrar o cabo das tormentas. Quem tem vergonha dos saloios, tem-na das naus. 2 feridos e 2 detidos na assembleia, nada mau, costumam ser 10 milhões de sinistrados, cada vez que de lá saem notícias, e detidos não costuma ser nenhum. As naus são aquelas barreiras derrubadas com timidez, outras ficaram de pé, fecham-se obre nós, não as vemos, mas sabemos que lá etão. Somos lixo, dizem-nos de fora, cá dentro dizemo-lo há anos.

“Who would be a poor man, a beggarman, a thief —
If he had a rich man in his hand.
And who would steal the candy
From a laughing baby’s mouth
If he could take it from the money man. (…)”