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Paul Krugman veio a Portugal, o Papa da economia keynesiana, inifinitamente citado articulista do New York Times, jornal que leio o, não por nenhum pseudo-elitismo devido ao sonante título, não por achar que em Portugal não haja boa imprensa, mas pelos seus artigos de opinião, artigos sobre cultura que são autênticos ensaios, onde realmente se aprende algo. O folclore político permanece, se quisermos fazer as inevitáveis comparações “lá fora é que é bom”/”melancolia e derrotismo lusitano”, a militância anti-Romney no NYT é embaraçosa, mas pelo menos as posições são assumidas, não se mascaram com o politicamente correcto.

O Krugman defende que em alturas de crise como esta que, deve de haver um investimento estatal na economia. Por estas e por outras é o herói intermitente da esquerda, que fazendo uso do seu lápis azul ideológico, evita alguma das blasfémias do economista. Por exemplo, diz Krugman no seu blog, acerca da austeridade na Europa:

“Yep, slashing spending in a depressed economy depresses the economy even more, and if you don’t have to, you shouldn’t do it — you should wait until the economy is stronger. Don’t take my word for it — just ask Mitt Romney. It’s a Keynesian world.”

Na sua estadia em Portugal, proferiu as seguintes afirmações:

“Adesão de Portugal ao euro foi um erro”

“Eu realmente tenho dificuldade em dar conselho ao Governo português. Aliás, detesto dizê-lo, mas não faria as coisas de forma muito diferente daquilo que está a ser feito agora.”

O Prémio Nobel, foi acusado de se contradizer. Talvez esperassem que ele seguisse o livro, mas acho que estas supostas contradições, são a prova de que ele é capaz de perceber que não se deve vergar uma sociedade a uma ideologia. O que eu quero dizer com isto, é que os ideais puros não ficam incólumes quando confrontados com a realidade e os seus imponderáveis.

E não nos podemos esquecer que o Krugman não é europeu, é americano, os democratas não correspondem aos socialistas europeus, o liberalismo é transversal às várias correntes de pensamento nos EUA.

Ser de esquerda não é seguir religiosamente uma cartilha ideológica, sem questionar os seus fundamentos, contradizendo a liberdade de pensamento, o espírito critico, o livre-arbítrio, o individuo capaz de trilhar o seu próprio caminho sem ter de prestar contas a Marx, ou é?