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O outro pecado que se impõe actualmente, é o da incoerência. Faço desde já uma adenda, não vejo a coerência como uma virtude particularmente atraente, tal como a isenção implica uma rigidez que facilmente sucumbe à sarcástica aleatoriedade do universo.

Vou citar na integra uma crónica publicada no Diário de Notícias, assinada por uma cronista de quem as crónicas não aprecio particularmente, Fernanda Câncio, e peço desculpa pela deselegância em citar e fazer esse reparo despropositado, mas durante muito tempo vestiu a mini-saia de cheerleader socrática, agora vestiu um fato de macaco para dar marretadas neste governo. Mais um contributo para esta partida de futebol com um prolongamento da duração da História de Portugal.

Eis a crónica:

“Num momento particularmente difícil o Governo propõe-se mais uma vez restringir o acesso aos apoios sociais, particularmente aos desempregados.” (1)

“Revela uma imensa insensibilidade social, especialmente quanto aos idosos, ultrapassa o limite dos sacrifícios que podem ser impostos aos portugueses e demonstra falta de equidade fiscal e social na distribuição das dificuldades.” (2)

“Não ataca os problemas de frente e prefere atacar a despesa social, atacando sempre os mesmos, os mais desprotegidos. Mantém a receita preferida deste Governo: a solução da incompetência. Ou seja, se falta dinheiro, aumentam-se os impostos.” (3)

“Apenas castiga os portugueses e não dedica uma única linha para o crescimento da economia. O que não se aceita é a falta de um rumo, da esperança que devolva o bem-estar aos portugueses e que promova a convergência real com os restantes cidadãos europeus.” (4)

“Mais uma vez o Governo recorre aos aumentos de impostos e cortes cegos na despesa, sem oferecer uma componente de crescimento económico, sem uma esperança aos portugueses.” (5)

“Sendo evidente que Portugal precisa de proceder a um ajustamento orçamental, reduzindo o défice nos termos dos seus compromissos internacionais, entende-se que o caminho escolhido pelo Governo é errado e não trará ao País a necessária recuperação económica.” (6)

“A essa realidade junta-se ainda a incapacidade em suster o aumento galopante do desemprego e do endividamento do País.” (7)

“O Governo recusa-se a dizer aos portugueses qual a verdadeira situação das finanças públicas nacionais.” (8)

“Os resultados que se atingiram tiveram o condão de se fundar ou no sacrifício das pessoas e das empresas – suportado pelo aumento asfixiante da carga fiscal – ou no recurso a receitas extraordinárias.” (9)

“As medidas tiveram efeitos recessivos na economia e não trouxeram qualquer confiança aos mercados.” (10)

“Portugal é o único país da Europa que não vai crescer. Não pode, por isso mesmo, o Governo afirmar que a culpa é da “crise internacional”, como insistentemente afirma para tentar enganar os portugueses.” (11)

“É o Governo que desmente o próprio Governo.” (12)

“A credibilidade, uma vez perdida, é extremamente difícil de recuperar.” (13)

1, 3, 4, 5, 7, 8, 9, 11 – moção de rejeição do PSD ao PEC 2011/2014.

2, 6, 10, 12, 13 – moção de rejeição PP ao PEC 2011/2014.

Quem tem telhados de vidro não atira pedras para o ar. E fomos nós a carregar as telhas, com o corpo bem marcado dos estilhaços.