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“Donos de Portugal é um documentário de Jorge Costa sobre cem anos de poder económico. O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza. Mello, Champalimaud, Espírito Santo – as fortunas cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins – afirmam-se sobre a mesma base.”

O documentário veste-se um pouco com a roupagem Michael Moore, um estilo que consiste num apanhado de factos aleatórios, que de alguma forma se relacionam entre si,construindo assim elaborada conspiração. Apesar disso, os “Donos de Portugal” tem uma base factual mais sólida, pois tratam-se de factos históricos, a relação promíscua entre eles é deixada pairar no ar, cabe ao telespectador os espírito critico. É interessantíssimo, e recomendo-o. Merece reflexão.

No entanto, a arvore genealógica da burguesia portuguesa domina o poder econômico desde há muito, e os negócios são transmitidos por herança, ou casamentos entre famílias poderosas.

Esta  suis generis noção de concorrência faz-me perder convicção no futuro colectivo, pois a política actual não muda absolutamente nada, aliás, os seus intervenientes pertencem a estas famílias. Não há inocentes.