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Se o anterior governo transpirava mediocridade intelectual, este acrescenta a essa crónica característica da nossa república, um cheiro a naftalina ideológica.

António Borges, o chamado “12º Ministro”, é o homem responsável pelo tratamento das privatizações, despedido do FMI por incompetência, é o principal conselheiro do governo, e homem forte das privatizações.Todos nós cometemos erros na vida e nem sempre tudo corre pelo melhor, não comungo do fanatismo pelos CVs, nem  embarco na exploração desse facto para questionar a sua competência num cargo governativo. A até porque não consta em lado nenhum que um governante tenha de ser competente, sabendo de antemão que pertencendo ao PS ou PSD tem à partida 120 pontos de QI garantidos. As palavras que o senhor em causa proferiu acerca do crescimento económico em Portugal, sendo apenas ele mais um recitador de uma velha ideologia que ameaça erguer-se do túmulo, merecem o reparo de um mortal comum. Eis as ditas:

“(…)

Mas com diminuição de salários?
Mas a diminuição de salários não é uma política, é uma urgência, uma emergência, não pode ser de maneira nenhuma uma perspectiva de futuro. Mas aquilo que se fez em Portugal nos últimos anos, foi um crescimento completamente disparatado dos salários, que não podíamos pagar e agora temos a necessária correcção.

A moderação salarial é o caminho para ganharmos competitividade?
Neste momento, não lhe podemos escapar e é uma ajuda fundamental para o país. Por exemplo, em Espanha, mesmo com 25% de desemprego, os salários continuam a subir, e portanto o desemprego vai continuar a aumentar.

Alinha com a ‘troika’ que o problema do desemprego tem que ver com os salários altos?
Tivemos um problema de perda de competitividade dramático, em que os salários subiram muito mais do que deviam ter subido, mas o problema do desemprego em Portugal é a recessão e só vai desaparecer quando pusermos a economia a crescer. (…)” (Economico)

Desde já louvo a frontalidade e a clareza na exposição das suas ideias, outros encapotam as mesmas com uma retórica estéril, esperando que passem entre os pingos da chuva.

Não sei se a entrevista está completa (o resto pode-se ler no link), mas pelo que se pode ler, ficam algumas pontas soltas. Vou fazer aquelas perguntas óbvias para mim, cidadão comum e rasca, destituído do brilhantismo que ilumina estas mentes, não fui pincelado com o ungento sagrada da compreensão dos factos económicos.

Vão baixar os salários de quem? O mínimo? Da classe média?

Subiram os salários de quem?

Até há pouco tempo, sem qualquer decência e respeito pela História e cultura, os políticos negavam qualquer comparação com a Grécia, somos muito melhores dizem eles, no futuro, por este andar, estaremos a dizer que somos muito melhores que o Laos ou o Burkina Faso.