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Não será preciso um profundo exercício de adivinhação para prever os cortes drásticos nos rendimentos individuais para o ano que vem. Lá se vão o iPad e as férias no Algarve. Não havendo nada de concreto, apenas se poderá especular onde e quanto será amputado no já parco vencimento da generalidade dos portugueses. O Tribunal Constitucional já chumbou suspensão dos subsídios de férias e Natal para o sector privado. Vamos ver o que se seguirá, de qualquer forma, 2013 será um ano onde andaremos a fazer contas de merceeiro, isto para quem não as faz, pessoalmente congratulo-me de não embarcar no desgoverno pessoal.

Em relação ao desgoverno geral, temos as instituições que avaliam os gastos públicos constituídas por pessoas dos partidos das pessoas que são avaliadas. Uma coisa não implica a outra, é verdade, mas a transparência numa democracia certamente não é isto.

E as pessoas manifestam-se porque não veem mudanças, apenas dinheiro a sair do bolso, a interpretação do primeiro-ministro baseia-se numa teoria passada hereditariamente entre os governos, são manifestações organizadas pela oposição e sindicatos, peões que apenas satisfazem agendas políticas, seriam incapazes de se manifestar espontaneamente. É esta a democracia de Portugal, para os políticos apenas existe oposição e eleitores manipuláveis que dão grandes lições de democracia na hora de desenhar a “cruzinha” no boletim. É uma falta de respeito.

De um ponto de vista mais geral, cada vez percebo menos de História que me ensinaram, sinto-me a acordar de um estado torpe e licoroso de convicções enviesadas por um sequestro ideológico que se vai dissipando como nevoeiro pela manhã. Em meados  do séc. XX, dizia-se com um tom de professor idoso, aquele que ensinava gerações, que dava reguadas aos alunos se o caderno não tinha as lições direitinhas:  “Não, não é preciso usar da violência, somos um povo de brandos costumes”. Para meu grande espanto, o ditame é citado por inusitados quadrantes ideológicos, frequentemente diabolizando outros ditames que agora se erguem do túmulo, exumados pelo acumular dos  juros da dívida passada.

Brandos costumes têm os reformados que se sentam nos bancos de jardim a dar milho às pombas, nunca os nossos costumes foram brandos, é uma manipulação de opinião apelando ao patriotismo saloio, invocando uma cultura mística que tolda a mente, que nos torna acríticos, uma osteoporose democrática.