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Não vou fazer mais piadas em relação à “Licenciatura” do ministo Miguel Relvas, Doutor, até porque depois de saber que ter sido presidente da assembleia geral de uma Associação de Folclore foi um dos aspetos valorizados na experiência profissional do ministro, desisto, está no top e dificilmente alguem bate esta tal é a ironia da palavra folclore ser metida ao barulho. A realidade é demasiado hilariante, mas há que ser justo, afinar um cavaquinho dá qualquer equivalência no ESMAE, e dançar o “Vira de Santa Marta” requer profundos conhecimentos em Danças e Cultura Minhota, não desprezando a gestão dos passeios a S. Bento da Porta Aberta, saída às 6 da manhã de Sábado, regresso no Domingo à noite, matéria que justifica uma tese de doutoramento.

Tão deprimente lapidação à personagem seria evitada, não fosse a parolice do “canudo”.

Uma vez, entrei numa loja, enquanto escolhia ia falando com o senhor que me atendeu, já velhote e muito afável. Durante a conversa acabei por referir que me tinha licenciado numa engenharia, a partir desse momento começou a tratar-me por Sr. Engenheiro. Senti-me francamente incomodado. Pode ser apenas síndrome de uma geração, mas a insistência da geração anterior na importância em “tirar” um curso para ser alguém na vida resvala no complexo de superiorioridade, na necessidade de provar algo cuja competência deverá evidenciar sem necessidade de qualquer outra prova, mas compreendo sem qualquer tipo de cedência. Não passou muito tempo desde que havia uma pequeníssima mão-de-obra com qualificações necessárias para determinados cargos, porque a universidade é muito mais do que aprender coisas para usar no trabalho, não é uma linha de montagem de operários.

Não é o espírito de edificação pessoal que parece mover estas pessoas da política. O seu discurso transparece mediocridade, vincada por lugares-comuns onde refugiam a sua retórica a salvo de aventuras que poderiam ter de justificar, sem recorrer a resultados previamente embalados, ou à segurança intelectual de um curso. Algo que deveria ser paradoxal, pois se aprendi algo na universidade, foi a não ter segurança inabalável do que sei, a questionar.