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Uma das consequências da demagogia, a mais grave talvez, é a potencial injustiça da vassourada. A extinção de Fundações era um dos remédios milagrosos prescrevidos na campanha da coligação. “Um escândalo! É o sorvedouro socialista do Eng. Socas!”, gritavam nesse espetáculo deprimente intitulado de eleições e que, pelos vistos, é a base da nossa democracia.

Sem grandes incursões pelos caminhos da intriga política, estes últimos tempos de antena confirmam a suspeita de que o sorvedouro não é maleita solteira, a companhia é ilustre e vem do outro lado da barricada ideológica. Solteira é a culpa, apenas .

Voltando às fundações, haverá muita mama, o português é afamado de gadonho, ai de quem diga isso, mas a História não nos deixa mentir, não vale a pena mandar os livros para a fogueira. O problema é que nestes tempos de aperto munimo-nos da moral ofendida, e apertem-se as malhas do piaçaba pois a hora é de varrer até à subatómica poeira. Não ouço grandes destrinças entre fundações, são aos milhares, falando assim aprece uma amálgama de esquemas .

Não sei se a fundação José Saramago será uma das varridas, a julgar pelo amor à escrita do ilustre por parte dos portugueses, vai à bomba se for preciso.

A Fundação Francisco Manuel dos Santos, organiza umas conferências e convida alguns especialistas em diversas matérias para redigir lúcidos ensaios sobre a realidade portuguesa. Tenho o prazer de ter lido alguns, e recomendo desde já o “A Matemática em Portugal, uma questão de educação” de Jorge Buescu e o “Portugal: Dívida Pública e Défice Democrático” de Paulo Trigo Pereira, é de assustar o panorama e as conclusões, mas é animador saber que há lucidez em terras lusitanas que permita pensar e comunicar com clareza. O problema é que, pelo menos do que eu li, não constam grandes elogios a governo algum. Está envolvido nesta fundação, o sociólogo António Barreto, pessoa de intelecto respeitável, e que conhece profundamente o país que vive, merece a palavra, e merece esta fundação, subsistir.