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A esta governo já só faltava a recriação das fábulas de La Fontaine. Depois de sacudidos, somos embalados com uma história de encantar recitada com adequada bonomia por Miguel Macedo,  ministro da Administração Interna.

Portugal é “um país com muitas cigarras e poucas formigas”, disse. Segue-se o desastrado, e habitual, esclarecimento semântico.

Para seu gáudio, ao contrário da desencantada cigarra, em tom corporativista para com criatura, o produto das formigas  já tem o destino selado, pode a cigarra passar o Inverno a cantar e a dançar, que tem o sustento garantido, é engorda pela certa.

É com esta linguagem atreita a dúbias interpretações, quer da intenção quer da substância, que os políticos  se dirigem ao país. Em jeito de adenda, não defendo que se dirijam a nós como especialistas nas matérias onde eles serão autoridades, mas deverão ser claros e concretos. São virtudes do discurso que adquirem especial pertinência em tempos de incerteza global. Quanto à substância, esta insistência no insulto dissimulado, gato escondido que deixa de fora um rabo dogmático, que insiste na incompetência dos trabalhadores, premiando a inquestionável competência de um patronato cuja escolaridade é adequada à produtividade do país.