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O programa Câmara Clara da RTP 2 vai acabar. É único no universo televisivo português em canal aberto e dos poucos que justifica o dinheiro que pagamos. Passa absolutamente incólume na (fraca) esgrima de argumentos sobre o que deve ser serviço público. Admira-me  a sua existência por tantos anos, uma tão rara concessão da elite intelectual ao serviço  das massas.

O seu término é paradigmática da purga ideológica que nos vai apertando o cerco, temos sido vítimas de várias, mas esta tem sido bastante efectiva e ameaça não deixar ponta por onde pegar no fim. Desconheço as razões desta decisão, mas desconfio que inclua a palavra “orçamento”, porque não há mais nenhuma justificação plausível, embora esta não o seja, mas faz sentido se atendermos a que este governo é particularmente avesso à cultura.

A cultura é uma força que transforma dinheiro em acréscimo intelectual ou nada, é um investimento com risco grande, obviamente não passa no crivo da austeridade. E pessoas da craveira intelectual de Miguel Relvas, certamente, ponderaram esta questão.

No meio deste desvairo, fica a pergunta certa:

“A questão, premente, é a de saber que meios, que espaço e que visibilidade reserva o serviço público de televisão à cobertura de uma das áreas nevrálgicas do desenvolvimento do país: a inovação nas artes e nas ideias e a conservação do nosso extenso e precioso património cultural – da literatura à arquitectura” (escreveu Paula Moura Pinheiro)

Tenho medo da resposta.