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Assistimos nestes últimos dias a performances artísticas que esclareceram os ouvidos menos atentos por que diapasão se afinam as gargantas políticas da occidental praya lvsitana. A mise-en-scène habitual sofreu um revés dramático, e sabe-se que nestas coisas do showbiz a surpresa e o improviso abrilhantam a coisa. O espectáculo começou nas plateias da assembleia com a expectativa frustrada de contagiar o palco, mas os protagonistas apenas deixaram cair um pequeno esgar, e não permitiram a grandes devaneios, o local metia respeito.

Com outra ousadia, Miguel Relvas fez-se valer do seu sentido de oportunismo e, sem conseguir disfarçar a insónia de que revelou padecer, acompanhou a velha cantiga, é caso sério de virtuosismo lírico, certamente o Conservatório de Música não ficará indiferente a titular o pândego.

A cantiga é conhecida, fascista não sabe a letra e o povo é quem mais ordena, mas as urnas são surdas.

Soubesse eu mais cedo da eficácia interruptiva desta melodia, e de cada vez que a minha mãe me tivesse posto um prato de massa com  carne na mesa, antes de a despejar por detrás do fogão, trautearia eu com uns versos da Grândola, e comeria um bife com batatas fritas todos os dias.