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Eu sei que a tentação não pode ser negligenciada, trata-se de ficção científica e o terreno é fértil, mas o CGI elevou-se a um patamar tal, que relegou o romântico “illusion of life” a uma quimera cinéfila, a uma memória de infância onde perdura o cenário gelado do ataque do Império,  em que Imperial Walkers marchavam desajeitadamente  sobre a  base da Rebel Alliance. Tornou-se um lugar-comum da crítica leiga ao cinema, afirmar que a aplicação da computação gráfica no cinema tem como agenda escondida ocultar a falta de imaginação e explorar a preguiça mental dos expectadores. Não é alheio ao caso, a crise de bilheteira fomentada pela pirataria, novas plataforma de visualização e, principalmente, novos costumes.

Pode-se argumentar que as salas de cinema, pela qualidade de som e imagem, potenciam com grande estrondo as capacidades do CGI, sem dúvida que oferece possibilidades assombrosas à indústria do cinema, não advogo um conservadorismo cinematográfico. Mas o Star Trek merece melhor do que uma sequência de explosões, tiros e gigantescas naves a desintegrarem-se, é um filme pipoca. A ficção científica, particularmente no franchise do Star Trek, é um pouco como o Jazz Fusion, possibilitando a exploração e aprofundamento dos mais diferentes temas combinando tudo em algo sólido. Por exemplo, a relação entre humanos e seres alienígenas com cultura própria poderia dar azo a confrontos políticos e sociais bem mais ricos do que o maniqueísta confronto com os Klinglon.

As personagens reflectem esta pobreza narrativa, através de uma estereotipagem quadrada, desde o bad boy engatatão que não cumpre as regras, mas salva o dia; ao Spock e a sua luta contra as emoções, mas faça-se justiça a Zachary Quinto que já não é a primeira vez que desempenha bem o papel; passando pela loira que lá tem de aparecer em roupa interior. A Zoe Saldana fica bem em qualquer filme.

Em suma, a saga Star Trek já teve momentos bem piores e este filme cumpre os requisitos mínimos sem passar vergonhas, mas desilude-me pois na saga há matéria prima para fazer muito melhor do que isto. Espero que o J.J. Abrams tenha isto em conta quando meter as mãos na próxima trilogia galáctica

Poster daqui.