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Uma neblina escura abateu-se sobre a cidade do Porto. O intenso cheiro a eucalipto queimado denuncia a sua proveniência.

As chamas consomem florestas com a mesma voracidade que opiniões se inflamam, reclamando a fogueira inquisitória ora para os incendiários ora para o governo que não toma medidas, ou para os proprietários que não limpam as matas.

As imagens de labaredas a manchar verdes encostas, indiferentes aos gritos e lamentações do país real, tornaram-se numa sazonal abertura de telejornais. Aparentemente inocente, nunca ameaçando derramar-se para lá do diagnóstico psiquiátrico, a nossa depressiva introspeção parece materializar-se no desprezo pelo património tratado com paliativos que se desfigura vertiginosamente.

“No meu tempo nunca se via um fogo!” Antes de se tornar combustível de tragédias ambientais, a mata era essencial como matéria prima para a agricultura quando esta se assumia como a principal actividade do país. Os montes estavam limpos por necessidade, actualmente exige-se dos proprietários essa mesma prática, não é por aí. Limpar os montes – roçar tojo, palavras da minha terra – é um enorme investimento de tempo e esforço, ou dinheiro, caso essa tarefa seja delegada. Uma legislação coerciva nesse sentido manteria o problema incólume.

Quanto é que estamos dispostos a gastar para preservar o património ambiental? Somos capazes de elaborar e cumprir um plano com a humildade e sobriedade?

A Associação Florestal do Lima, por exemplo, procura através de uma visão alargada do problema, olhar para a floresta e não para cada árvore, metáfora que encaixa como uma luva para uma realidade de pequenas propriedade, através da constituição de Zonas de Intervenção Florestal, zonas florestal alargadas geridas por uma única entidade e submetidas a um Plano de Gestão Florestal. Uma das medidas será, por exemplo, a construção de pontos de água, destinados ao abastecimento dos meios aéreos e terrestres. Terá de haver um comprometimento geral.

As florestas,valor intrínseco das coisas imensuráveis na Bolsa, representam uma pequena parte do PIB, o seu retorno económico não belisca a vigente ideologia economicista de vistas curtas. Oxalá, a consciência vença.

Aqui e aqui.