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O mais recente debate que o BE colocou em cima da mesa foi a questão do piropo. A designação de piropo,  já encerra em si uma certa imbecilidade, mas neste caso foi elevado à condição de assédio sexual, um desrespeito pela mulher, uma manifestação de machismo que a sua conotação de inocência é reflexo de uma sociedade tolerante ao enraizado domínio masculino.

“Pareces um helicóptero, gira e boa!”

“O teu pai deve ser terrorista, és cá uma bomba…”,

“Ó jóia, anda cá ao ourives!”.

Estes são exemplo típicos de tais brodoadas atiradas na direcção de um decote. Não tenho dúvidas do desconforto que, potencialmente, tais comentários possam causar a uma mulher. A dificuldade, para mim, está em traçar a fronteira que divide a falta de jeito e imaturidade do assédio sexual, de um estado pré-violação, mas em caso de dúvida é difícil distinguir um parvalhão de um desconhecido mal-intencionado. A contextualização do fenómeno parece-me a única forma sensata de debater o tema. Rapidamente resvalou para a caricatura de ambas as partes, utilizando a técnica mais antiga da discussão, extremar a posição do adversário. A coutada do macho é particularmente agressiva e muita alarvidade se diz por aí, pelo menos o debate tem a virtude de revelar algumas pérolas da argumentação.

Penso que o problema neste debate será a nomenclatura, não o facto do assédio sexual ser condenável. O BE não propõe legislação no sentido de criminalizar o piropo, o objectivo é abrir o debate, de sensibilizar para a questão, embora eu ache que haja outras violações da liberdade feminina, mais subtis, tais como a ditadura da moda que já ameaça os homens, uma igualdade pela negativa ou as políticas de natalidade, que também merecem debate. É bom que se fale no assunto, discutir faz-nos crescer.