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Insinuando uma espécie de xenofobia social, o gozo aos senhores de bigode que figuravam nos cartazes sublinhados por poderosos slogans, foi a paródia destas eleições autárquicas. Muito sentido de humor para um povo que não se sabe rir de si próprio, talvez a distância do país real aos grandes centros de (in)decisão desça uma cortina imaginária, separando-nos do palco onde a rambóia acontece e pensamos não ser nós que ali estamos recortados pelo photoshop. Na plateia, veste-se o armani semântico, sem hesitações no discurso, sem tropeçar nas palavras,  a saloiice não está na dislexia de quem escolheu as cores dos cartazes, ao invés manifesta-se na pretensa superioridade intelectual, com a ironia poética que sempre a caracterizou nestas terras .

Perante a nulidade dos milhares de candidatos espalhados pelas belas terras desta terra, em comparação às eminências que aproveitaram a supressão do debate democrático para desbravar caminho para as legislativas, os variados painéis de comentadores labutaram na garimpa das conclusões nacionais e a pirite abundou.

Interessa lá as terrinhas e os seus problemazinhos de caminhos por alargar ou ecovias para as senhoras seguirem os conselhos médicos de marchas diárias, vamos é dar tempo de antena aos lideres partidários para que iniciem a sua patética campanha, encetando o seu extenso rol de promessas. Decisão a cargo de Comissão Nacional de Eleições (CNE) que, graças a Deus, vela por nós, bem hajam. Quase ninguém berrou, a esquerda, sempre tão zeladora dos direitos e conquistas, que se rasga sempre que alguém impede que uma “grandolada” importune uma palestra legítima, nada tem a dizer perante o mais grotesco atentado à liberdade de expressão que presenciei em Portugal.

Este foi o primeiro tesourinho das legislativas, tomo a liberdade de me apossar do título que os Gatos inventaram, digamos que instituíram um estilo e eu à boa moda copio. Haverá mais, pois esta gente promete. O meu preferido será o desmascarar intelectual de António Costa, aconselhava a ver a Quadratura do Círculo, o sebastianismo acaba sempre da mesma maneira.

Há limites para aquilo que, com bonomia, se chama de “boa imprensa”.