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Antes da batalha, soam as trombetas. É o sinal, a faísca que incendeia o peito, e os soldados avançam armados de reluzentes lanças, intimidante linha que eles formam pois a ilusão também vence guerras. As altas patentes resguardam-se da ferocidade da luta, tecem a estratégia e, como num jogo de xadrez, os peões sucumbem no anonimato pelo valor mais alto da vitória colectiva.

Cá detrás lançam-se as setas, chuva mortal antes do cruzar de espadas. A política é esta batalha, e parece-me que Portugal vive o momento em que se colocam as peças e se lançam as primeiras setas. Prepara-se para a mudança, será tão radical como deixar cair a última letra da sigla que designa partido de governo.

A artilharia pesada já começou a disparar, José Sócrates e Mário Soares laçam os primeiros torpedos. As vítimas não distinguem a cor das balas, mas os artilheiros só vêem pela mira e a periferia é curta.

Um simples fact-checking serviria para que os tiros furassem o pé, mas esta batalha ganha-se causando cegueira com o brilho da armadura, não conta a coragem em campo. Ceguinhos seremos nós se não quisermos ver.