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Primeiro foi o stand-up de Joseph Blatter que gerou uma onda de indignação pela grave ofensa ao nosso abono da selecção de futebol, Cristiano Ronaldo. A coisa até deu azo a uma declaração oficial de um membro do governo, certamente o Marcelo soltará uma lágrima em solidariedade, e talvez se faça um vídeo para mostra à Suíça. Metáfora para prioridades trocadas, os autos-de-fé do facebook é sangue garantido, mas uma posição oficial de um político acerca de um número de entretenimento dá que pensar.

Pior ainda, parece-me que já foi escrito o template da desculpa pela derrota com a Suécia, antecipando as cabriolas do Ibrahimovic. Por outro lado, este nacional-ofendidismo pode contagiar a fúria patriótica dos jogadores da selecção, vento que sopra nas velas desta caravela que, mais uma vez, atravessará o Atlântico. Ou isso, ou o Ronaldo faz um hat-trick. Ainda bem que o futebol não é uma coisa a sério.

Este apontamento de humor de Blatter, foi considerado pelos mais incautos como uma ofensa nacional. Ofendidos deste mundo, rasguem as vestes, pois uma série americana, de seu nome Family Guy, retratou os portugueses abaixo de cão e, contenham-se ó boas almas, caracterizaram-nos com bigode e sotaque brasileiro.

Quanto ao sotaque, por aí se vê a crise que lá vai, é um abrasileirado forçado a português, desconfio que usaram um daqueles tradutores online grátis, fosse mesmo em português e aquilo tinha piada, fosse mesmo em brasileiro e entendia o sarcasmo até porque qualquer não falante de português prefere a musicalidade sul-americana. Eu cá desconfio, e não foi inocenta a introdução sobre futebol, que se basearam na selecção dos anos 80 para os bigodes e no Deco a cantar o hino para a voz.

Mas eu não me compadeço com patriotismo de pacotilha, num país onde se constroem barragens como a do Tua. Os criadores do Family Guy têm razão e o Blatter apenas falhou na punch-line.