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The Winery Dogs é uma banda formada pelo baterista Mike Portnoy, o guitarrista/vocalista Richie Kotzen e pelo baixista Billy Sheehan. Poderia acabar por aqui pois esta malta é previsivelmente brilhante. O nível de virtuosismo na interpretação e a solidez da composição faz do álbum que lançaram este ano um manual de sentido rítmico e bem tocar.

A sensação que tenho relativamente a estas bandas de músicos estabelecidos, à imagem de Chickenfoot, extraordinariamente bem sucedidos noutras paragens – Dream Theater, Mr. Big, Poison, Steve Vai, etc – é que caminham sobre as cinzas da criatividade deste novo século que teima em ser uma sucessão de modas que consomem mutuamente, A energia vibrante do classic rock é um refúgio seguro para uma banda auto-confiante e nunca morre, por mais funerais antecipados que se lhe façam.

A sua capacidade regenerativa garante-lhe vitalidade, agregando sonoridades provenientes de diferentes espectros musicais. O Richie Kotzen, um guitarrista que há muito aprecio, é disso um bom exemplo, é capaz de fazer coisas no limiar do pop, mas nunca cai nessa tentação fácil, quer através de uma guitarra que estabelece um diálogo ritmo/solo com elementos de fusion/blues/rock plena de virtuosismo e tremendo bom-gosto, quer através de uma voz com uma rouquidão que nunca se torna monótona nem serve como recurso primordial, antes é um condimento.

Enquanto os Dream Theater voltam à genialidade que os caracteriza, lançando um álbum soberbo, recuperando da saída do baterista Mike Portnoy, este prossegue a sua saga musical nos Winery Dogs. Depois de alguns projectos interessantes – um percurso que inclui um despedimento dos Avenge Sevenfold, o equivalente futebolístico aos Limianos despedirem o Messi – este é o mais entusiasmante. É um baterista fantástico que, nesta banda, toca com um kit que será um décimo daquele que usava nos DT, conhece todos os tiques do rock e dá uma solidez de aço ao álbum.

O Billy Sheehan é um baixista assombroso, além disso acrescenta a uma técnica arrepiante um som de baixo muito característico, com muito personalidade, algo denso mas muito definido, capaz de ser furioso por vezes e ao mesmo tempo ter imenso feeling. Sempre a debitar muitas notas.

The Winery Dog é, para mim, uma das melhores novidades musicais de 2013. Digamos que um concerto deles e Chickenfoot seria uma ode ao Classic Rock, espero que alguém tenha esta brilhante ideia.