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A fogueira da luta de classes tem sido alimentada vorazmente desde o século 19. Desde então, vários acontecimentos tais como a revolução bolchevique ou o crash da Bolsa, têm servido como óbvias armas de arremesso para desmontar os argumentos da trincheira adversária.

À nossa dimensão, em Portugal, corporizamos também esta polarização ideológica em episódios, felizmente longe das grandes crises em que os extremismos, invariavelmente, culminam. Coincidentemente, e é mesmo coincidência, hoje celebra-se os 100 anos do nascimento de Álvaro Cunhal, o histórico líder comunista, ao mesmo tempo vem a lume um relatório onde se conclui que os mais ricos enriqueceram desde 2012.

À semelhança do relatório sobre o consumo de cultura dos europeus, é muito tentador tirar conclusões pouco académicas com base neste outro relatório do banco suíço UBS onde se conclui que, em Portugal, há mais 85 milionários – indivíduos com fortunas superiores a 30 milhões de dólares (perto de 22,4 milhões de euros) – do que em 2012. Relatório de Ultra-Riqueza no Mundo 2013 é o dito cujo.

Uma vez que a quantidade rendimentos disponíveis da classe média vai no sentido inverso da fortuna da burguesia, indago que factos explicam esta prosperidade. Não tenho qualquer asco ideológico relativamente aos ricos, mas se os impostos incidem com mais violência nessa classe social – 49% no IRS, por exemplo – com explicar tal fenómeno? Não me vou lançar na adivinhação, mas que não pode haver acha mais incandescente atirada para o celeiro da luta de classes, disso tenho a certeza.

Exumar lutas que deviam fazer parte da História, é sinal de retrocesso, é dar razão a Marx quando dizia que a História se repete, uma segunda vez, como farsa. Pior do que isso, é fazer com que tenho um sentido concreto para além da parangona ideológica.

Daqui.