Tags

, , , ,

A primeira impressão que me causou a home do site deste novo partido fundado por iniciativa de Rui Tavares, o LIVRE, é que aquele espaço entre o PCP e o BE que o mesmo reclama é, na realidade, uma ocupação do território do partido Os Verdes. De forma alguma esta observação vai no sentido de uma crítica negativa, muito pelo contrário, um partido que tenha a convicção de uma sociedade consciente do seu património ambiental, à margem da demagogia oportunista da  auto-coroada “política verde”, faz todo o sentido e muita falta.

Por mais desavenças ideológicas que tenha com a esquerda, e são muitas,  não voto à direita, pelo menos nas legislativas. Sou um pouco céptico relativamente a uma mudança no meu orfão sentido de voto, motivada pelo LIVRE, mas ainda é cedo para saber o que eles pensam, aliás, nem sei que eles são, para além do Rui Tavares e, provavelmente, o Daniel Oliveira.

O meu cepticismo advém de um princípio que o LIVRE anuncia no seu site, eleições primárias abertas para a escolha dos seus candidatos. Sou um convicto defensor dessa ideia, mas poderá um partido sustentar, com esse sistema, a solidez do seu interior em concorrência com o caciquismo decrépito do bloco central?

A segunda razão está na segunda parte da seguinte afirmação, retirada da sua Declaração:

“Igualdade. Preconizamos não só a igualdade perante a lei ou a igualdade de oportunidades, mas também a equidade na distribuição de recursos e a equalização progressiva de possibilidades e condições de vida.”

Na minha opinião, esta afirmação contempla duas forma diferentes de pensar, a vírgula  que separa as duas orações, é a grande cisão entre a direita e a esquerda, é uma vírgula ideológica. A igualdade de oportunidades resume, para mim, o que devia ser a essência de toda a acção política. A equidade na distribuição de recurso causa-me dúvidas, deve ser clarificado pelo LIVRE, o que  pretendem dizer com isto. Se estão a afirmar que o jogo está viciado, e a igualdade de oportunidades é apenas um soporífero para adormecer as consciências contra o establishment, gostaria de saber como pretendem equilibrar a balança. Se, por outro lado, pretendem embarcar numa atitude de Robin Hood, fico-me pelo filme. Seja lá como for, não se consegue ver o fundo do abismo entre ricos e pobres, ouvem-se as picaretas a escavar, mas isto não vai lá por decreto.

Espero a papoila vermelha não vir a ser uma estética diferente para um igual espartilho ideológico e arrogância intelectual.

Daqui.