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Em 1978, foi gravado em Portugal um álbum de rock progressivo intitulado de “10.000 Anos Depois Entre Vénus E Marte”. Foi composto e tocado por José Cid, Mike Sargent, Ramon Galarza e Zé Nabo.

Há uns anos, um grande amigo meu, que nunca perde a oportunidade de me lembrar que existem outras coisas para além do inexpugnável mundo da minha discografia, apresentou-me este álbum sem me dizer o autor, não fui capaz de adivinhar, está para além de qualquer suspeita, pois a carreira posterior ao 10000 anos divergiu para temas mais terrenos. A partir daí, respondíamos “José Cid!” quando perguntavam o que andávamos a ouvir.

Este mês, José Cid anunciou que dia 11 de Abril de 2014 irá tocá-lo ao vivo na íntegra. É um álbum muito bom, sólido, recheado dos clichés do prog, o ambiente espacial e as letras oníricas, mas com melodias muito interessantes e causa uma agradável sensação por ser cantado em português. É um álbum bem cotado nos rankings dos melhores de sempre do género, e procurado pelos colecionadores pela sua raridade. Não é a primeira incursão de José Cid no prog, o Quarteto 1111 é já muito vanguardista e o EP de 1977, Vida (Sons do Quotidiano) é puramente prog.

No momento histórico pós-revolucionário, surgiram algumas bandas interessantíssimas, mal vistas pelo regime pois eram acusadas de representarem o capitalismo americano e desviarem a atenção das reais necessidades, felizmente, fomos sensatos em recusar mais esse fascismo, são outras contas. Arte & Ofício, Tantra – Armando Gama nas teclas, também ele não resistiu à penumbra do prog -, são exemplos de um período áureo que não se voltou a repetir. Tal como em Inglaterra, o punk ofuscou o prog, aqui não foi excepção, e um público ainda atónito com tudo o que estava a acontecer não era suporte para a sobrevivência destas bandas. Este interessante episódio de Estranha Forma de Vida conta alguma da História destes tempos:

Seria interessante que este concerto do José Cid, também incluísse os Tantra e fosse uma celebração do prog português.