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Não é o negócio entre o grupo Leya e as herdeiras de José Saramago, manifestação da mesquinhez que o vil metal sempre polvilha sobre aquilo que julgamos não ter preço, que me causa aquele incómodo com quem, após largos anos de ausência, regressa à sua terra e depara-se com os troncos decepados das árvores que o viram crescer.

Embalados pela celeuma que por aí se fez ouvir, a canalhada fez algum estardalhaço, talvez na esperança que por aqui  cessasse a tinta que dá voz a esse herege, desenganem-se os sacripantas.

Mais uma vez, se exumou aquela pequenez amiúde reconfortada entre as redes de uma baliza, e se conspurcou aquilo que de mais belo foi obrado por lusa arte, entre capa e contracapa, as palavras do nosso desencanto e deslumbramento. Tal como Belimunda, Saramago recolheu as vontades do homem, guardando-as na quinta-essência da ortografia portuguesa.

A obra de Saramago é universal, dispensa passaporte, repousa no panteão da memória, ergue-se acima da ideologia que lhe imputam, se alguma vez nos livros dele entrou, foi pela porta pequena.