Tags

, , , , , ,

“Melhor do Que Falecer” é o melhor que vi o Ricardo Araújo Pereira fazer. E certamente será um fracasso pois humor negro na hora da novela é uma estratégia pior do que falecer, apesar da boa fama do RAP. Aliás, as audiências batem sucessivos recordes negativos.

O horário nobre não acolhe com simpatia ousadias que não pactuem com a bonomia da comédia “revisteira”, novela acéfala ou concursos de conversa. A abertura com a morte a acompanhar o RAP seguida do desfalecimento deste na posição fetal, augura algo de bom.

Para melhorar a sua performance,  RAP contracena com Miguel Guilherme, um dos melhores actores portugueses, velha glória dos tempos do Herman Enciclopédia e uma fenomenal interpretação do Bocage no currículo, que vem exponenciar a qualidade da série.

O RAP vem melhorando a qualidade dos seus textos ao longo dos tempos. Para além das óbvias influências de Monty Python nos Gato Fedorento, o RAP a solo tem uma clara influência saramaguiana nos seus textos,  através da ironia rebuscada recorrendo ás catacumbas da gramática para caracterizar situações corriqueiras . É uma técnica a que recorre em todas as suas intervenções, e que alcançou a maturidade.