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O povo do futebol a protestar contra a evacuação do erário público sobre os relvados, é uma desfeita  que não esperava por parte do povo do futebol aos apologistas do betão como inovação. Apenas História é capaz de tão maliciosa ironia.

Desde já, faço uma adenda, porque há coisa que me tiram do sério, esses tipo de cara tapada a atirar coktails molotov à polícia a partir montras, munem os seus detratores ideológicos com argumentos contra uma manifestação legítima, são delinquentes.

É como caminhar sobre uma superfície de gelo fino de um lago no Inverno, mas o óbvio paralelo tem de ser feito, porque os actores são os mesmos, não largam o palco nem depois da chuva de tomates. Em terras lusas, aqueles que são contra o investimento público deste calibre são denominados de velhos do restelo. Curiosamente, os mesmos que lançam esta verborreia em clínicos momentos políticos, exultam esta manifestação de luta pelos direitos, de revolução cultural, eu chamar-lhe-ia de sensatez.

Esta personagem camoniana padece de uma fama injusta e o poeta é tão grande quanto são patrióticas as entrelinhas  do quarto Canto dos Lusíadas.

Num país com carências tão básicas, projectos desta génese ou surgiram numa noite de copos em que o entusiasmo licoroso embala o entusiasmo mais efusivo até ao  declínio da vergonha na manhã seguinte; ou as oligarquias pactuam com a burguesia da FIFA.

Acredito que toda a contestação fará descansar as armas durante um mês, a partir da próxima Quinta-feira, quando o Neymar der o primeiro toque na bola, depois disso, já conhecemos a cantiga. No Quatar há mais.

“- “Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C’uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!”

Imagens daqui e daqui.