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No dia em que D. Juan Carlos abdica da coroa de Espanha, a “Roja” abdica da sua coroa de rainha do futebol. Arjen Robben terá sido o Manuel Buiça que os republicanos espanhóis não queriam, mas a monarquia compensa a fotogenia que faltou ao tika-taka, o sangue azul que parece ter deixado de fluir pelo emaranhado desconcertante de vasos sanguíneos que Xavi e Iniesta teciam no meio-campo.

Esta coincidência é apenas uma curiosidade, perturbadora é a simultaneidade de eventos neste mundial, comparativamente ao mal afamado Mundial de 2002 na Coreia do Sul. A crónica de um um  déjà vu anunciado ameaça desenrolar-se no Brasil, onde também o campeão foi eliminado na fase de grupos, Portugal jogava com o melhor jogador do mundo, os EUA também faziam parte do grupo, a preparação da selecção fora também questionada pelos abutres da imprensa desportiva e antes do mundial vaticinava-se a vitória, queimando na fogueira as bruxas que previam dificuldades.

Para quem cultiva a mediocridade, a arbitragem e as palmas de Merkel são o bode espiatório suficiente para justificar desaires da selecção nos próximos 50 anos, mas se o Brasil representa a emancipação de Portugal na História, conjure-se atitude de bicho-do-mato com tiques de vaidade patética.