Tags

,

Há uns anos atrás, o então ministro da Economia Álvaro Santos Pereira, foi vítima de bullying por pretender ser tratado pelo nome próprio, descendo do pedestal de um título académico, quis restringir-se ao nome de baptismo na hora do tratamento. A ideia foi vilipendiada, pois o receio em derrubar a última barreira entre a elite social e mediocridade individual é semelhante a de ficar nu em público. Foi esta a deliberação da assembleia municipal de Torre de Moncorvo, Bragança, acabaram-se os títulos académicos, notícia o DN.

Pessoalmente, nem no endereço das cartas quero esse apêndice onomástico de “Eng.º”, muito menos que me tratem por tal. O respeito profissional conquista-se com a qualidade do trabalho, e o respeito social forma-se através da dimensão pessoal de cada um. Não concebo um local de trabalho saudável – salvaguardando as devidas excepções, que existirão – onde as pessoas sintam a necessidade de temperar com este tipo reverência artificial qualquer abordagem a alguma chefia ou colega de trabalho.

O argumento do respeito não vem ao caso, pois se alguém se sente desrespeitado por ser tratado pelo nome próprio, ou por tu, terá de descer do pedestal que julga ocupar, pois a vaidade, arrogância ou pedantismo ocupam a base da pirâmide dos defeitos.

Já ouvi por aí, o argumento da promoção da profissão. No máximo, seriam os cursos universitários ou outros a precisar de promoção. É uma promoção pessoal, é uma distinção de castas. Já não se usa.

O comunicado da Câmara tem um detalhe curioso, e é por causa destas e doutras que este tipo de ideias acaba na gaveta: “(…)Esta decisão foi tomada na óptica da democracia republicana e da revolução francesa(…)”. A única coisa que me vem à mente quando penso em Revolução Francesa, é no banho de sangue que se lhe seguiu, um ditador e uma mortandade pela Europa. A  palavra ‘fraternidade’, por altura das invasões napoleónicas,  constaria do mesmo dicionário que ‘irrevogável’. Rousseau e Voltaire são coisas à parte, mas este é um outro assunto.