Tags

, , , , ,

Uma boa parte do Mineirão, perante a calamidade de 5 golos antes do lugar aquecer, estádio que o Brasil construiu como quem abre um novo capítulo na história do futebol, como quem cava a sua própria sepultura empenhando o que  não tem,  apupou um jogador apenas, com a crueldade de um animal ferido. Dos escombros da derrota, apenas o carácter sobrevive, e Júlio César, o guarda-redes brasileiro, investiu as réstias das suas forças na dolorosa contenção das  lágrimas que ameaçavam, foi honesto e deu mérito a quem de direito.  Esta dignidade deverá ser a lição maior deste jogo, já não se fala de futebol quando em 6 minutos se destroça um emblema mítico.

A clemência da Alemanha, aliada a poupanças para uma final que se pode antecipar como consagração de uma superioridade evidente, evitou números na ordem das dezenas. É fácil detestar os alemães, mas enuncia-se sempre as razões erradas, evocam-se os fantasmas do passado e a rigidez glacial dos semblantes. Mas é a sua competência desumana capaz de por a nu sem pudor as fraquezas dos adversários que causa a indignação conformada dos latinos. Nem confirmaram a arrogância que sempre se lhes imputa. Nem sequer se poderá antecipar um excesso de confiança por parte da selecção alemã na final, pois celebraram com o mesmo entusiasmo que tenho quando perco o autocarro. Se não soubesse o resultado, olhasse para a expressão facial do Miroslav Klose no final do jogo, pensava que tinham perdido por 3-0.

ps: Tenho a sensação que Scolari está para o futebol como António Costa para a política, veremos.