Tags

, , , , ,

Ainda não tinham aberto todas as barracas quando cheguei. O cheiro a livros velhos, o odor de uma reconfortante sabedoria ancestral, pairava no ar ao largo dos alfarrabistas. Um ameno sol temperava um fim de tarde que o Outono já reclama para si.

As Feiras do livro são eventos que me atraem, hoje começou a do Porto que, depois de muitas polémicas financeiras, foi assumida pela Câmara do Porto e realizada nos belos jardins do Palácio de Cristal. Apesar de ser mais visível na Avenida dos Aliados, uma Feira do Livro naquela praça rodeada de  furiosos automóveis  é pouco recomendável, digna, e não convida ao folhear os inúmeros livros que compõe as bancadas. Para substituir as buzinas e satisfazer o mais recente cliché sonoro destes eventos, tocavam versões Jazz de “Like a Virgin” e “November Rain”.

feira do livro porto 2014

Para os leitores compradores, não há nenhuma vantagem intrínseca de uma Feira do Livro, pois os preços são os mesmos das livrarias apenas com irrisórios descontos, os alfarrabistas são conhecidos, e dificilmente se encontra algo tão em conta como na Bibliofeira ou no OLX, onde se fazem negócios da China quando a sorte bafeja. Não haverá happy-hour, segundo um dos feirantes, pois o evento não é organizado pela APEL. Apesar disso, não resisti e lá se foram 30€. E como o diabo age com astúcia nos momentos de fraqueza, o vendedor garantiu-me que fazia uma “atençãozinha” se levasse os 4 volumes do “Guerra e Paz” da Presença.

A grande virtude destes eventos são as sessões de debate com escritores e convidados de alguma forma ligados às letras, tais como Gonçalo M. Tavares, Germano Silva (um contador de histórias por excelência e um profundo conhecedor da cidade do Porto), Mário Cláudio (lá vai ele falar de Proust), Pedro Mexia, Lídia Jorge, Richard Zenith, José Pacheco Pereira (uma recensão sobre os livros políticos censurados, com certeza), etc.  Este fim-de-semana estarei entre páginas.