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Ontem chovia, e não há melhor tónico para a leitura do que chuva pardacenta de Setembro. Começou verdadeiramente a a feira do livro, mais do que um evento comercial onde se altera a localização dos livros, da montra para a bancada, é um evento literário onde têm a palavra os protagonistas: escritores e leitores.

Com o simpaticíssimo João Tordo e o dramaturgo José Maria Vieira Mendes, falou-se desta geração de escritores portugueses que andam lá pelos trinta e já publicaram algumas obras assinaláveis. De Valter Hugo Mãe a Gonçalo M. Tavares, passando pelo próprio João Tordo e José Peixoto, há um conjunto de escritores com idades muito próximas, sem que seja possível estabelecer uma corrente literária que os agregue. Tenho para mim que esta é a conclusão principal do debate, mas há perguntas que ficam sem resposta: que lugar terão os escritores numa realidade caótica de informação visceralmente gráfica e sem a devida intelectualização? Como podem lidar com uma concorrência selvagem escritores que se iniciam?

Entre debates, Rui Moreira, na justa e primeira homenagem a Vasco Graça Moura, afirmou com um exagerado estoicismo que esta Feira do Livro é aquela “que quisemos, quando quisemos e como quisemos”. É um sucesso, quer pelo formato quer pela adesão, mas é difícil folhear os livros expostos como se se estivesse na Ribeira durante o S. João.

No segundo debate, às 17:30, ainda Gonçalo M. Tavares não tinha começado a sua intervenção, e já havia escrito uma página inteira de notas. Imagino assim os escritores, todos os momentos em palavras. Germano Silva tem o dom da palavra falada e aquele afecto das cartas escritas à mão.