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O “brutal aumento de impostos”, momento histórico assim classificado por Vitor Gaspar, é a marca indelével do actual governo, a desvalorização do trabalho, uma grave oneração do poder de compra da classe média, o coração da democracia. Sempre pensei que foi o maior favor que fez o PS, e estas declarações do seu líder parlamentar confirmam-no:

“Não se pode, evidentemente, ao mesmo tempo, defender o progresso do Serviço Nacional de Saúde, defender o progresso da escola pública, defender o progresso na capacidade da proteção social e depois ter promessas desbragadas em matéria de diminuição dos impostos” (Ferro Rodrigues na TSF)

Ferro Rodrigues  deixou claro nesta afirmação,  o programa de governo que interessa saber: os impostos mantém-se, ratificando assim a política do governo actual. Paradoxalmente, ao falar de igualdade de oportunidades, manter esta carga de impostos, é manter a aguda clivagem entre ricos –  apesar de perderem 50% dos seus ganhos para o Estado mantém um considerável poder de compra – e pobres, porque a classe média é empurrada para baixo.

É uma afirmação ideológica. Reconheço-lhe a honestidades, mas vai ter de ser confrontado, antes da eleições, com a corporização da afirmação. Ou seja, como é que vão ser diferentes do actual governo?

O PS prepara-se para erguer a bandeira do Estado Social, justificando assim a manutenção desta depressão colectiva. “(…) o estado Social que os portugueses querem (…)” e qual é? Construção de tribunais novos, para depois serem fechados e os funcionários trabalharem em contentores? Rotundas? Escola primárias renovadas, para serem fechadas pouco tempo depois?  As obras faraónicas do parque escolar? O crime ambiental das barragens?

É uma cobardia puxar a cartada do Estado Social, porque Ferro Rodrigues sabe que não é politicamente correcto criticar o tema, é preciso uma coragem política que se paga com votos. É o regresso ao passado.

A solidariedade não se decreta, pratica-se! O Estado não se pode substituir à gestão pessoal de cada um. Ninguém gasta melhor o meu dinheiro do que eu. Não consigo deixar de ser invadido por algum cinismo perante esta movimentações, só tenho acesso aos factos através da imprensa, mas cada vez mais me parece que quanto mais dinheiro o Estado português tem, mais margem há para que seja mal gasto.