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O povo, esse cardume cambaleante sujeito à força maciça das marés que lhe orienta a direcção sem lhe questionar a vontade de ir.

Ah, povo! Não temas pelo destino, heróis te guardarão com zelo e comoção lacrimal pelo canto do olho. De capa e espada, bem sonoramente, porfiam entre si pisando os destroços desse país, vasto campo de batalha, onde, no fim, se auto-imputam os salvadores da massa ululante.

O povo, essa esponja que absorve a água suja que corre nas sarjetas da televisão, a lama que forma o golem monstruoso, pois o povo não pensa, reaje, tem de ser guiado, iluminado pelas candeias brilhantes, salvadoras.

Ergue as bandeiras, parte vitrinas, grita mas não penses, amotina-te na direcção certa, pois só assim mereces os teus heróis, só assim sustentas a promessa do amanhã, manténs vivo o sonho, não acordes, não te desvies.

A liberdade tem o preço do desprezo.