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Os filmes sobre música tendem sempre a focar-se em aspectos biográficos dos músicos, que surgem em palco a tocar maravilhosamente sem haver aparência de treino. Geralmente, fala-se pouco de música no sentido mais lato arte, e este filme também padece do mesmo mal apesar de haver muito mais música.

O aspecto focado é o do treino e da pedagogia na música, mas ambos aparecem caricaturados na personagem de um jovem que procura obsessivamente alcançar o panteão dos bateristas e de um instrutor que secundariza todos sargentos dos comandos para uma categoria de tia amorosa:

O filme foca-se numa obsessão por tocar o mais rápido possível até sangrar os dedos, literalmente. Mas, desde o início, que essa intenção é afirmada com clareza. Além desta honestidade, é dispensado o drama a que estes filmes são propensos, e podia resvalar para a choradeira, mas mantém a sobriedade através da personagem do jovem baterista que mantém uma fortaleza sentimental – ao ponto de deixar uma namorada muito acima do seu campeonato – e uma convicção férrea tais, que faz a carreira musical não se distinguir da militar.

Poder-se-ia interpretar este filme como uma apologia à humilhação como método pedagógico eficaz, ou uma biografia de um músico em início de carreira, mas é apenas entretenimento, nem sequer é um filme sobre jazz.