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Vou ceder à tentação dos sentimentos baixos, e fazer aquele exercício mesquinho de aproveitar a guarda baixa após a perplexidade das coisas.

Tenho sentimentos confusos quanto ao resultado destas legislativas. A julgar pelo meu recibo de vencimento e pela repelente mediocridade de aluno baldas que foi à net copiar o trabalho daquele documento de reforma de estado (eu dou muita importância àquilo), tenho a coligação em muito baixa conta.

Mas, a arrogância gaseada pelo lado esquerdo da trincheira, catapultada pela imprensa que se limitou a seguir o caminho mais fácil, merecia esta derrota, e acaba por se cobrir de humilhação dizendo que “o cenário mudou, agora perderam a maioria”. Por vezes, há conclusões que circulam de boca-em-boca, os pensamentos da moda. Neste momento, pergunta-se pelas pessoas que votaram na coligação. Por onde andaram? Não serão apenas os Martins e os Santiagos de Cascais, haverá uns Zés e umas Marias que, trabalhando para ter o salário mínimo, votaram na coligação. Não tiveram voz na imprensa, é um sinal de fraca cultura democrática.

O Portugal discutido na imprensa e na lama do facebook/twitter (onde há pessoas a dizer que a destruição de Palmira pelos terroristas é louvável porque as ruínas representam uma civilização opressiva) não é o país que conheço, é uma ficção cuja trama é moldada ideologicamente sem intenção de aderir à realidade e a sua imprevisibilidade. Volto a perguntar, onde estavam, nestes últimos anos de manifestações e lágrimas, as pessoas que votaram na coligação? Haja memória: personagens cobertas de autoridade moral, apelaram a que essa massa indistinta a quem chamam povo oprimido, se revoltasse na rua, partisse montras e os aclamasse como líderes incontestáveis. Não aconteceu, e agora somam-se alhos com bogalhos para inverter a calamidade, numa aritmética historicamente impossível.

Eu votei em branco, tendo a consciência que contribuía para a permanência do governo (nunca o faria se a maioria fosse possível), mas o resultado implicará que as pessoas revelem o seu carácter e, pelo menos isto, poderá ser esclarecedor para o futuro.

ps: E as vitórias de Pirro?

ps2: O cartoon inicial foi usado pela PS na campanha, para ridicularizar a coligação.