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“O Ministério da Educação do Brasil (MEC) eliminou a obrigatoriedade do estudo da literatura portuguesa na nova Base Nacional Curricular Comum (…)” (Daqui)

Melhor notícia os autores portugueses não podem receber. Que cesse a plantação da semente do desprezo pela literatura na cabeça dos adolescentes, ao confrontá-los com Pessoa e Eça em idades pouco recomendáveis para varrer de chofre ilustres calhamaços como “Os Maias”. Que não se lhes roube uma descoberta que deverão fazer por si, já na maturidade. Eu tenho uma dívida irreparável para com o Ministério da Educação por nunca me terem obrigado a ler Agustina ou Camilo aos 15 anos. Bem hajam.

E, já agora, quantos autores brasileiros fazem parte do currículo português? Será que os nacionalistas que batem com os cascos na caixa de comentários desta notícia do DN, estariam receptivos ao estudo de Clarice Lispector no secundário; ou limpariam as lágrimas à bandeira temendo pela corrupção moral das adolescentes?

E o novo AO? Não ia ser o motor da expansão da língua portuguesa ao terraplanar as diferenças linguísticas nos PALOP, essa calamidade pública que impedia de dar um bom dia, boa tarde sem puxar de uma sebenta para a respectiva tradução?

E que tal se se dedicassem a ler os escritores que levam na lapela como embaixadas desse anacrónico orgulho patriótico, sem avacalhar aquilo que melhor se faz em Portugal, que é escrever? É precisamente isso que vou fazer agora.