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Rui Cardoso Martins, jornalista e escritor, escreveu um livro intitulado “E se eu gostasse muito de morrer” que trata o tema da elevada taxa de suicídio no Alentejo. Na RTP 3 desancou no Henrique Raposo alegando a ignorância do autor do “não-lido” e polémico “Alentejo Prometido” que aborda também  esta trágica peculiaridade estatística nos chaparros; Rui Cardoso Martins rematou a entrevista com o convicto repúdio pela obra do cronista do Expresso, “não li nem vou ler, as declarações que ouvi foram suficientes” – a formulação foi um pouco diferente mas tomo a liberdade da citação.

Não li nenhum dos dois, desconheço-lhes a argumentação, mas a polémica é deliciosa e o tema melindroso.

O Henrique Raposo é um provocador que pesca à linha, trata daquilo que vai apanhando na corrente mediática e quotidiana, e assim terá de agir pois um provocador não poderá ser obcecado por um tema só, não é saudável. É um candidato a tudólogo – termo que usado como adjectivo tem um sentido pejorativo,  mas que deveria ser elevado à condição de estatuto pessoal pois a inteligência é tão maior quanto mais abarcar.

Gosto das crónicas do Raposo, ainda é novo e a escrita carece de maturidade, mas ele tem uma eficácia na sua provocação que indicia, pelo menos, algum acerto.   E quanto à minha concordância com ele, esse é o último dos meus critérios na selecção de leituras. É aqui que me parece começar a confusão que deu origem às tentativas de violação da sua liberdade de expressão, e outra coisa não foi. Não existe um “mas” nesta matéria, por mais abstruso que seja o opinador.

Mas é preciso dizer que melhor promoção  do que estes “ares” de censura não poderá haver, e aposto que o Rui Cardoso Martins não se importaria de ser bafejado com semelhante regalia.