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Presença assídua na arena pública da traulitada intelectual, José Rodrigues dos Santos, insatisfeito com a labareda, volta a atiçar a fogueira da discussão sobre a hipotética origem marxista do fascismo neste artigo do Público, tese que alimenta o seu último livro.

Não tenho conhecimento científico para apoiar ou refutar as afirmação do jornalista da RTP – aliás, não tenho sequer habilitações para discutir a quantidade óptima de manteiga para barrar numa torrada, por isso escrevo num blogue -,  e até corro o risco de cumprir o papel de advogado do diabo, mas perturba-me o espírito de alcateia que parece mover os seus críticos; mas a minha intuição insinua algumas simplificações nos argumentos de JRS.

Esta discussão desdobra-se em centenas de calhamaços que povoam a bibliografia de várias disciplinas: filosofia, história, sociologia, etc. Por isso, é um pouco perigoso pisar o terreno minado das capelas académicas e assanhar os seus acólitos;  JRS põe-se a jeito quando lhes pisa os calos, é um provocador muito eficiente.

As aplicações práticas, quer do do comunismo, quer do fascismo, implicam sempre uma profunda revolução na sociedade, um darwinismo social segundo os seus critérios de evolução, e fazem tábua-rasa da pluralidade de opinião. Através da radicalização das frentes de batalha, alimentada pela demagogia, originam sangrentas guerras civis e longos totalitarismos. Francamente, isto parece-me óbvio, e desconfio sempre da lucidez e tolerância de quem adere a estas ideologias. No entanto, o comunismo tem um marketing muito mais eficiente pois o fascismo parte sempre de um estágio de violência, onde o comunismo acaba por chegar, mas sempre tem o odioso no discurso.  Isto talvez explique a candura de quem ainda o defende como necessário.

São dois regimes que, do ponto de vista da sua cartilha ideológica têm raízes diferentes, mas ambos se radicam no mesmo sentimento, profundamente humano e destrutivo:  o exercício do poder absoluto.

O JRS envereda por um caminho muito pisado e deveria evitar afirmações tais como: Se acham que o fascismo não tem origens marxistas, façam o favor de desmentir as provas que apresento nos dois romances. E, já agora, aproveitem também para desmentir que o fascismo alemão se designava nacional-socialismo. Como acham que a palavra socialismo foi ali parar? Por acaso? “. É um argumento um tanto ou quanto infantil, mas que pouco se distingue em força argumentativa das teorias da conspiração típicas da esquerda; com ironia involuntária, até aqui os extremos se tocam.

Cartoons daqui.