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Não foi necessário um dote oracular para adivinhar que José Rodrigues dos Santos (juro que este blogue não pretende homenagear o indivíduo) não esperaria muito tempo pela chibatada intelectual, mas a porfia já tinha a culatra puxada atrás e disparou o escárnio com propriedade.

O jornal Público, que alberga estas bengaladas e por isso é um jornal que ainda mantém alguma erecção, publicou hoje duas crónicas que atiram para o lamaçal da irrelevância as grandes questões que preenchiam a agenda mediática, tais como as considerações estéticas de José Cid sobre os nativos do nordeste português.

Primeiro, foi António Araújo. E desde já faço-lhe a devida saudação onomástica pois tem o mesmo nome que o meu, já falecido, avô. Este historiador que não está pelas medidas quanto a desvios do discurso oficial, e no seu artigo de hoje sopra o pó dos calhamaços que desmentem, com régua e esquadro, a cândida teoria de JRS.

Se JRS não edifica o seu mérito académico em matéria de historiografia política, certamente vende mais alguns exemplares.

Por favor, mantenham a discussão acesa porque, temperada com uma garrafa de vinho, é um pitéu de que me lambuzo.

Rui Tavares também não resistiu, e integrou a procissão de indignados académicos, embarcando na contenda a opinião de Assunção Cristas sobre este enjoativo e demagógico conflito entre escola privada e pública, e as declarações de Schäuble sobre as sanções a Portugal. Apelou à paciência divina, mas equivocou-se no substantivo, porque  coisa é para rir.

É curioso perceber que a indignação académica não deixa de transparecer um certo saudosismo,o equivalente em minudências teóricas ao “no tempo do velho não havia esta pouca-vergonha”; uma esperança na amnésia histórica que tem tanto de ingénuo com de bárbaro. Uma lavagem através do escárnio intelectual. E até têm razão! Haverá tragédia mais cómica?…