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Ouvir, a partir de uma roulote de cachorros e outras iguarias afins, boa parte da banda sonora da minha vida poderia despertar em mim algumas questões existenciais, mas não, sei apenas que estou lugar certo: Ressurrection Fest em Viveiro, na Galiza.

O carro, depois de ter sido admoestado com 300 kms de viagem sob sol escaldante por belíssimos terras, prolongamento a Norte do Minho, ficou arrumado num parque de campismo à espera do nosso regresso num dos autocarros que a organização do festival disponibilizou a troco de 1.5€ por viagem para transitar a malta entre o parque e o festival, a boa impressão começou aqui.

Poucas horas bastaram para ficar impregnado daquele o cheiro acre a festival, uma mistura indefinida de terra, pó, suor e cerveja derramada. No recinto pejado de metaleiros derretidos pelo sol escaldante da tarde, o estômagos destilavam estrella galicia a 2€/20 cl. Não circulava dinheiro nos bares, a cada bebida correspondia um ou mais tokens, pequenas fichas com o valor de 2€ cada uma.

Decorria um concerto num dos palcos, tocavam os Municipal Waste envergando uma tarja onde o crânio de Donald Trump era atravessado por uma bala e de imediato nos apercebemos que o som era fantástico e cheirava a picanha. A comida era particularmente boa, um manjar se comparada com os KFCs e Pizzas Hut do Paredes de Coura.

Iron Maiden? Iguais a si próprios, é um concerto-protótipo. O som? Fantástico, percebe-se tudo o que eles tocaram, fenómeno acústico que não se repetirá segunda-feira, no pavilhão Atlântico. Esta qualidade sonora expandiu-se pelos outros palcos; a seguir entrou Entombed A.D. e, apesar do violência das guitarras e da profunda expectoração do “vocalista”, a coisa era sonoramente digerível.

Ao regressar do concerto, na roulote, passava o “Fear Of The Dark” completo. Descobri um novo Minho e um novo Vilar de Mouros.