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Arturo-Pérez-Reverte

Eu tenho a convicção de que o pessimismo é um ponto de partida sólido para qualquer raciocínio que envolva o comportamento de pessoas, mas é um estado de alma traído pela sua onomástica, que o remete para o pântano ideológico dos “ismos”; portanto, padece de má fama.

Na infância, era auguro de mau futuro; na adolescência, sinal de paixões não correspondidas (sentimento corrosivo, origem de muitos sintomas semelhantes); na maturidade, para algumas pessoas com um apurado sentido de estética social, é transformado num cepticismo antropológico, e ostentado como inteligência superior à crendice comum – até dispensa o penoso exercício de se pensar sobre as coisas.

Mas, tal como as das drogas leves, quem o consome tem de estar preparado para enfrentar o vício com desprezo, ou sofre as consequências do excesso. Não foi o caso de Arturo Pérez-Reverte, escritor espanhol, que, nesta divertidíssima entrevista ao Público, consumiu o pessimismo com um gozo superior, que parece apenas ao alcance de sexagenários; e como eu já tenho muitas saudades do Vasco Pulido Valente, vou matando essa falta com entrevistas deste calibre.

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