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Metallica é uma instituição de riffs nos bordões da guitarra, um compêndio da palhetada. Nos anos 80 da década passada (gloriosos para o Metal) legaram para a posterioridade musical três álbuns que, de uma forma ou de outra, fazem parte do reportório dos miúdos de 15 anos que estão a aprender a tocar guitarra, deixar crescer o cabelo e a aperceberem-se de que tocar exige uma precisão que lhes vai reclamar um tempo que não estão dispostos a abdicar. A One (sextinas diabólicas) e a Master Of Puppets (palm mute, palhetada para baixo sem alternância) são compêndios de metal e benchmarks para os guitarristas do género na sua capacidade de acompanhar um metrónomo implacável.

Passados mais de vinte anos, e depois de álbuns onde fizeram o que quiseram, porque as grandes bandas arriscam, preparam-se para lançar um álbum que, a julgar pelos dois singles até agora revelados, recupera uma certa energia que não abundava nos anteriores –  a Hardwired cabia como uma luva no “…And Justice For All”.

Saudosismos não convocam mudanças positivas, e eu cresci a ouvir críticas a esta banda (muitas feitas por mim): ou porque cortaram o cabelo, o que em Ponte de Lima, em plenos anos noventa, fez alguns estragos e foi dos  fenómenos mais importantes no mundo do metal porque foi uma afirmação de rebeldia contra um movimento que partiu de uma saudável contra-cultura para se acantonar num dogma que não admitia teclados ou guitarras com som limpo, quando muito, cabelo curto; ou os álbuns não tinham peso suficiente, embora quase ninguém desmerecesse a qualidade dos “Loads”, mas o Ride The Lighting nunca saiu do leitor, confesso; ou..o St. Anger. Bem, quanto a este último, eu acho que quem consegue provocar toda uma comunidade apenas com o estalar de uma tarola, está a demonstrar um poder de influência que poucas bandas têm.

No entanto, tal como aconteceu com o “Book of Souls” dos Maiden, há uma insinuação de despedida, um sprint final, uma vitória sobre a idade; mas uma celebração de energia, uma triunfo sobre a letargia pop. Celebro.

E o que dizer deste senhor, Kiko Loureiro, ex-Angra, actualmente nos Megadeth.