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A política americana é montada nos bastidores como o cenário de um filme, e nós, europeus e espectadores, assistimos ao espectáculo de discursos artificiais, redondos, lapidados cirurgicamente por assessores que sabem escrever, e lidos por actores da vida real, com Obama no papel principal da encenação.

O poder da comunicação já se emancipou claramente ao veto da inteligência; um pasto fértil para a imbecilidade em bruto, e não surpreende a audiência de personagens como Trump, o tele-lixo prova há anos que a alarvidade passa em horário nobre e é levada a sério.

Nada de novo, com a excepção de dois fenómenos que me parecem preocupantes: a ausência de discussão política e a militância em matilha nos ataques pessoais ao candidato republicano.

É  verdade que o Trump baixou a fasquia abaixo dos joelhos, e é difícil penetrar com ideias numa cacofonia de sound bytes aviltantes, mas quem critica o Trump de dentes cerrados acaba por seguir a agenda deste. Certamente que a tem, mas a agenda de Hillary não tem qualquer ressonância, não sei o que ela pensa, por exemplo, sobre terrorismo e segurança ou política externa; só posso presumir que ela defenda a política de intervenções agressivas que tem sido seguida por Obama substituindo as boots on the groud pelos drones (tele-trabalho como satirizou José Sócrates na apresentação do seu [??] livro). Hillary vai ganhar mas, se não fixar a agenda, depois da poeira assentar, quando se virarem para ela, o vazio programático vai-lhe ser cobrado.

Quanto aos ataques a Trump, é verdade que este exótico empresário que subiu a punho (punhos de ouro na camisa, quero dizer), parece um adolescente que ouviu umas larachas do pai à mesa de jantar enquanto dava o telejornal e foi dizê-las à escola, mas é expectável que as celebridades que se arrogam de superioridade moral nas intervenções anti-Trump (veja-se o caso mais recente, do Robert de Niro, que não deixando de ter razão, vai apenas fazer número no coro mediático que, neste momento, mais não faz do que faz bullying aos apoiantes do republicano) se elevem de acordo com o seu discurso. “When they go low, we go high” disse Michelle Obama, e o conselho devia ser seguido.

Neste segundo debate, que assisti, ficou bem claro que o discurso de Trump nem na demagogia tem imaginação; nem parece estar preparado para as questões, sequer. Há uma teoria que defende que ele não quer ganhar esta eleição, tendo em conta o seu comportamento, é verosímel.