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a História avaliará os méritos e os deméritos do papel de Fidel Castro e da natureza do regime

Esta citação de uma declaração de Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, sumariza um conjunto de reacções que, por uma ou outra razão, perante uma ditadura mostram uma condescendência pouco saudável, e em muitos casos, uma admiração candente quer pelo líder histórico, quer pelo regime uni-partidário. A liberdade é um princípio muito frágil, tendo em conta a quantidade de pessoas que estão dispostas a abdicar dela para satisfazer a sua libido ideológica.

“Houve fuzilamentos, mas está bem, quando é que houve fuzilamentos? Nos EUA ainda há pena de morte, mas em Cuba já não há fuzilamentos.”, dizia alguém esta manhã na sicn, com uma comoção que não se desfez em lágrimas talvez pelo pudor que as câmaras impõe.

“Pátria ou Morte, Venceremos! Socialismo ou Morte!”, esta frase rematava os discursos de Fidel Castro e significa muito mais do que aquele romantismo revolucionário que tanto atrai sensibilidades apaixonadas; significa uma imposição sem concessões, é uma questão de vida ou morte: a não adesão a esta ideia significou o exílio ou a morte de muita gente. O regime de Fidel foi uma ditadura, e não é preciso que esperar pelo tribunal da História para fazer esse julgamento.

O castrismo não foi um bom filme, foi má realidade.

Eu também não gostava de ver o Macdonald’s espalhado por Havana e a música cubana substituída pela batida panasca de Justin Bieber; mas não conheço cubanos, a sua opinião tem pouco eco, devem ser eles a decidir; deve prevalecer a rua caribe sobre a instrumentalização de um povo pelos privilegiados urbanos com os seus cartazes.