Há guitarristas que são bons em tudo, sentido rítmico, técnica, composição e muito feeling. O Richie Kotzen é um deles. Dos EUA saem muitos assim. Com influências de Jazz, Fusão, Funk, R&B, Soul, Hard Rock, coisas dessas famílias. Daí vem o apurado sentido rítmico, porque tocar nesses estilos exige que esse aspecta seja muito trabalhado. E sabe cantar.
Começou muito cedo a lançar álbuns, com 19 anos, e já com muita qualidade. Foi contratado pelos Poison, gravou um álbum, mas foi despedido por se ter envolvido com a noiva do baterista. São estes gajos que fazem a fama dos guitarristas. Mais tarde substitui o virtuoso guitarrista Paul Gilbert nos Mr. Big.
O Ritchie Kotzen tem duas qualidades que o distinguem dos demais guitarristas, uma voz excelente, e um som fantástico. Há guitarristas que são fenomenais, mas quando começam a cantar…Casos do Eric Jonhson e do Joe Satriani, é impressionante que tenham gravado a própria voz em grandes discos de guitarra.
Notam-se muitas influências de Stevie Ray Vaughan e de Hendrix. Quer no som, quer no ritmo misturado com solo, sempre com fluidez rítmica, algo que já falei aqui sobre o Hendrix e do Martin Taylor, embora este o faça de uma forma mais jazzística e menos funk. Juntando a isso um uso frequente de sweep. Toca com uma guitarra que esteticamente não me agrada particularmente, uma Fender Telecaster, mas com um som assim, nada posso dizer mais.
Tem muita queda para as baladas, mas é daquelas que dão gosto ouvir, grandes solos cheios de feeling.
Lançou um, álbum com versões acústicas das suas músicas, e ouço-o com muita frequência.
Não percebo porque não é mais conhecido. Nem que seja pelas baladas e versões acústicas. Um gajo liga a rádio, e farta-se de ouvir tipos que tentam fazer isto que o Richie faz, são mais famosos e nem sonham em chrgar ao mesmo nível. Mas lá está, a lei do mercado. Mesmo assim é difícil de compreender, no caso de um guitarrista com uma música tão acessível.
Neste último vídeo, ele mostra um lado mais Jazz Fusão, em colaboração com outros notáveis deste género, como Lenny White, Stanley Clarke ou Rachel Z.
Por várias vezes ouvi esta frase ao longo da minha vida. Eu podia interpretá-la de duas maneiras, que representam duas formas diferentes de estar na vida:
Fazia uma introspecção e procurava as razões que levaram determinada pessoa a exigir respeito da minha parte;
Considerava que a mera referência ao respeito um atentado à minha liberdade, pois pressupõe que eu próprio me iniba de dizer, ou fazer determinadas coisas que eventualmente possam prejudicar outrem, mas que eu posso fazê-las à luz da minha interpretação de liberdade.
Claro que eu da hipótese 1. podia chegar à conclusão que alguém me estava a privar de algo a que eu teria direito, e chegava à hipótese 2. Pelo que vejo, a hipótese 1 é posta de lado.
Ao longo da vida, tenho conhecido pessoas, que se “crispam” ou fazem aquele sorriso irónico com o canto da boca, quando ouvem dizer que a liberdade implica mais deveres do que direitos. Este é um princípio fundamental da nossa sociedade. Aceitar o que não gostamos. Quem me conhece, sabe que eu reajo ás críticas que me fazem, e por vezes efusivamente, e normalmente confunde-se isso com não saber aceitar as críticas. Eu aceito, mas discuto. Quando alguém, no seu pleno direito, toma a liberdade de criticar, terá, necessariamente de estar preparado para a devida resposta. Apenas pessoas com fraco carácter e fraca personalidade é que precisam de faltar ao respeito para se insurgir contra uma opinião desfavorável.
Neste blog, eu falo muito de ética e princípios morais, apesar de os defender com convicção e acreditar na sua universalidade, tenho a consciência que é a minha maneira de ver as coisas. É a minha sensibilidade e educação. O mais importante para mim, é que esses princípios estejam assentes numa base de respeito. A blogosfera é um espaço de opinião, e ao mesmo tempo uma comemoração da liberdade na sua forma mais pura. Não há regulação, simplesmente cada um escreve o que quer, consoante a sua consciência, os seus princípios, e sem necessitar de currículo para opinar sem correr o risco de ser acusado de intelectualmente irrelevante. E nem sei como podia haver regulamentação, só se for uma entidade que leia os posts um por um, e determine aqueles que devem ser apagados por violarem uma qualquer lei.
É impressionante a frequência com que ultimamente se difama e falta ao respeito as pessoas, em capas de jornais, artigos, e pior, os próprios políticos não se dão ao respeito (aquela expressão popular um pouco nubelosa). Vemos um ministro a fazer uns “corninhos” e é imediatamente crucificado, se aplicássemos esse rigor em todos os sectores, ia ser uma limpeza. Vemos um primeiro-ministro afundado em casos mal explicados, constantemente surgem na praça pública nomes de pessoas, instituições e empresas envolvidos em suspeita, Isaltinos, Felgueiras, Freeport, BPN, Independente, Moderna, sucatas, compra da TVI, etc. Nada é clarificado. Os partidos parecem ser uma catapulta para futuros voos pelo riquismo, influência e poder, uma espécie de ritual de passagem, onde cada mancebo é benzido coma água benta da opinião única, a direcção tomada pelo partido. É isto que os políticos dão a entender, terão de pensar naquilo que fazem e dizem, antes de se queixarem da imprensa.
Os jornais substituem-se à justiça, mesmo que esta esteja ou pareça falida. O assunto é melindroso, os cidadãos têm o direito de saber o que se passa. Por outro lado, esse poder na imprensa condiciona a opinião pública, consequentemente a sua intenção de voto em determinada direcção. Se existisse apenas um meio de comunicação, seria gravíssimo se esse fosse tendencioso, é o que acontece nas ditaduras, mas existindo inúmeros jornais, revistas, rádios, televisão, sites, e juntando a blogosfera, o carácter tendencioso de um jornalista ou entidade, é facilmente desmascarado e fica ao critério de um leitor (informado) julgar a seriedade daquilo que está a ler.
Eu não quero com isto, “Medina Carreirar” este post, com todo o respeito pela pessoa em causa, eu dou estes exemplos, para relevar a falta de princípios e de moral. Estamos a construir uma sociedade, que promove o acotovelamento das pessoas, por um qualquer privilégio ou status. E a importância que, nós por estes lados, damos a esse status…
Escrever textos num jornal, baseado em coisas que nos disseram que ouviram no restaurante. E lançar isto para a praça pública, parece-me pouco rigoroso. Mas há que distinguir entre o artigo de opinião, e uma notícia. São formatos diferentes. É um terreno pantanoso este dos artigos de opinião. Trata-se de uma visão pessoal das coisas, mas quando se envolve factos oriundos de fontes suspeitas ou anónimas, factos não confirmados, visando pessoalmente alguém, há que, no mínimo, pensar um bocado. Não estou a afirmar que seja este o caso, não me ponho na posição de acusador, nem tenho competência nem conhecimento dos factos em causa. Quem quer usufruir da liberdade nestes termos, pode muito bem conviver com políticos que não sabem, ou não querem, ouvir críticas.
Fazer destes caso, uma arma de arremesso político é apenas cometer o mesmo pecado, cometido pela pessoa acusada, apenas com uma polaridade diferente. Se um político com a importância de um primeiro-ministro tentou controlar ou condicionar a imprensa, por meios sinuosos ou directos, é gravíssimo, anti-democrático, e sabe o que tem a fazer, se os factos o provarem. E o problema é este. Há a sensação clara, de que a Justiça não funciona, e casos que envolvem pessoas com responsabilidade, continuam pendentes, envolvendo a política em suspeitas de corrupção e abusos de poder.
Juntando a este triste cenário de impunidade, está a “futebolização” do debate. Cada um defende os seus interesses, os seus futuros votos, o seu clube partidário, sem qualquer responsabilidade ou respeito. A demagogia deixou de o ser, passaram a ser argumentos como quaisquer outros. Neste momento não distingo os partidos uns dos outros, excepto pelas pedras que são lançadas de um lado e de outro. Juntando aos políticos , estão os opinadores a puxar pela sua equipa, tal como hoolingans, e no final da pirâmide, estamos nós. Amantes deste tipo de crispações entre os famosos, vamo-nos rindo…
Não posso afirmar que são todos iguais, essa é a demagogia na qual não me revejo, nem concordo com o método de “vassourar” tudo e todos com o objectivo de limpar, há muitas pessoas na praça pública da política e imprensa que respeito e admiro, mas o sentimento de impunidade, e acima de tudo, uma enorme falta de respeito e princípios, perturbam-me muito mais do que números e dívidas.
Eu disse o que pensava, em plena liberdade. Sem compromissos. Apenas com a minha consciência, aquilo que mais tenho de precioso. Tenho gosto nisso. É pena que muitos se queixem do contrário. E é triste que, para muitos, a consciência seja apenas um legado de um antepassado da sua própria espécie.
A partir de um livro de Miguel Torga, o Fernando Ribeiro dos Moonspell idealizou este interessante projecto. Juntou mais dois músicos, Pedro Paixão e Rui Sidónio. E daí saiu o “Cada som como um grito”.
A descrição do projecto feita pelo próprio Fernando Ribeiro.
“Este trabalho brota de diversas nascentes que, em boa hora, se reuniram dando origem a este turbilhão de palavra, voz e som que o colectivo O.R. vos apresenta. A primeira palavra vai para o poema de Miguel Torga que me fascina e provoca desde a tenra maturidade. Todo o poema é um desafio feito através da voz, do canto, do clamor, da angústia assumida. Para me ajudar a vocalizar esta revolta e conquista convidei o (Rui) Sidónio dos Bizarra Locomotiva que já me acompanhou noutros cantares de terror e beleza. As suas qualidades narrativas são preciosas, são poesia dita pelo músculo e muito lhe agradeço a honra de seu grito neste projecto.
Por fim, dirigi-me à pessoa, que na sombra ou fora dela, mais tem feito pela minha banda de sempre, pela minha única banda, os Moonspell, e que, mais uma vez, não renegou a prometaica tarefa de musicar, com classe e escuridão, as palavras do Torga, reunidas por mim e divididas por ele, entregues à nossa voz e às suas guitarras e ambientes. Profundo e eterno agradecimento. Cada som como um grito é um trabalho diferente. Dizemos o Português gritando, o Português de Torga, duro mas belo, cerimonial mas envolvente.”
Este texto foi transcrito do site da OptimusDiscos, de onde também se pode fazer o download do álbum at no charge.
Este disco tem um detalhe muito interessante. As letras em português resultam muito bem com o dark e o gótico do acompanhamento musical. Isso já se tinha verificado dantes em certas letras de Moonspell, mas desta vez são músicas completas em português. Há uma certa crueza e lirismo no timbre da fala em português. É algo que nos escapa, pois estamos habituados, mas quando venho do estrangeiro depois de muito tempo fora, torna-se mais óbvio o contraste entre a língua que estava habituado a ouvir e o português, e revela-se esse romantismo e poesia da língua portuguesa.
“Portugal has been in political crisis since the Maoist-Trotskyist Bloco won 10pc of the vote last year. This is rapidly turning into a market crisis as well as investors digest a revised budget deficit of 9.3pc of GDP for 2009, much higher than thought.”
Porque antes dos Maoistas conseguírem essa votação, estávamos a acender charutos com notas de 50€ a arder, e a beber daiquiris nas Maldivas. No resto do artigo, o autor mete Portugal, Grécia e Espanha tudo no mesmo saco. Humor britânico sobre os gajos que estão sempre a usar azeite na comida, e que têm umas praias porreiras para férias…
Impressionante como banqueiros, e capitalistas que fazem o que querem e o que lhes apetece, sem consequências nem responsabilização, nada têm a ver com isto.
Eu juro que pensava que os vampiros estavam tão “démodé” como as mullets (o penteado do Chuck Norris nos anos 80), mas pelos vistos não. O famoso filme (que ainda não vi, nem me desperta o interesse) Twilight, foi o mote que trouxe de volta um tema que as bandas de gothic-metal e doom abandonaram em finais dos anos 90, por puro esgotamento criativo. Não há mais por onde inventar.
Foi lá para meados dos anos 90 que o gothic-metal atingiu o seu auge, e o seu declínio que não durou muito, no inicio do século 21 já não se ouvi gótico. As bandas mudaram muito o seu estilo, tendencialmente para a inclusão de elementos electrónicos. Houve muitas bandas de gótico na altura, casos de Amorphis, The Gathering, Paradise Lost, My Dying Bride, Theatre of Tragedy, Anathema, Crematory, etc. E a melhor de todas, os nosso Moonspell. Mesmo se pegarmos nos filmes de vampiros dessa década, temos o Drácula de Bram Stoker e o Entrevista Com Um Vampiro, e comparando estes com o Twilight, enfim…A banda sonora do Twilight devia ser HIM.
Moonspell era a melhor banda de gótico, a banda de culto portuguesa, e agora a comparação mais parava de sempre, a Amália dos metaleiros. Mais de culto do que Xutos & Pontapés, se considerarmos que ser uma banda de culto define-se pela lealdade dos fãs e não pelo número. E se há uma característica transversal ao pessoal que houve metal, é essa.
A minha perspectiva do gótico, não se baseia em vestir sempre negro, usar roupa espalhafatosa ou pulseiras com picos. É uma questão muito pessoal, mas para mim está na maneira de ser. Contemplativa, com tendência para romantizar e dramatizar as vivências. Viver a vida em poesia e não em prosa. Agora já me começo a sentir como se tivesse 15 anos, e a deixar crescer o cabelo…Que saudades que eu tenho daqueles tempos. Até estou a ver as caras dos tipos com quem trocava cd’s e entusiasmo por este estilo de música. E o cabelo…
De certa forma ainda mantenho esse espírito, mas musicalmente precisava de evoluir. O som estava explorado. No entanto, recentemente os Opeth trouxeram esse espírito, aliada a uma qualidade musical excepcional. Os Moonspell voltaram ás origens, com a re-edição do “Under Satanae” e o lançamento do pesado “Memorial”. Não podia flar da cultur gótica recente, sem fazer referencia a esta banda. Apenas pela sua qualidade, e não por nenhum patriotismo. Eu comecei por dizer que os vampiros estavam fora de moda, mas na realidade o ambiente criado pelos contos vampirescos que abundam pela literatura continua ser procurado, mas num meio underground, tal como deve estar.
A partir do momento em que abandonam os castelos góticos, cemitérios, para ir corredores de um qualquer liceu americano, ou para capas de revistas para miúdas de 12 anos, passam de figuras místicas para teenagers maquilhados. Agora foi a SIC e TVI a fazerem uma espécie de “Morangos com Açúcar” de caninos afiados.
Enfim, o gótico tem muito mais para oferecer do que esta febre dá a entender.
Deixo aqui alguns clássicos das bandas que referenciei há pouco. Começo pelos Moonspell, como não podia deixar de ser. Podia por muita coisa, mas escolhi as emblemáticas “Full Moon Madness” do rodou-mais-de-1000-vezes-na-minha-aparelhagem álbum “Irreligious”, e a espectacular abertura do álbum anterior, a “Wolfshade (A Werewolf Masquerade)” do “Wolfheart”.
Outra banda que me marcou imenso, foram os The Gathering. Esta música intitula-se de “On Most Surfaces” do “Nighttime Birds”, mais um cd que riscou de tanto tocar…
Fecho com mais uma banda clássica, os Amorphis. A música chama-se “Castway”, é tirada de im álbum que fez furor, o “Tales From The Thousand Lakes”.
“Forever young in a ground so cold
The splendor of your death still fresh to behold
In your neck an open wound
To spawn life into your Love
And to feed the creatures of our world”
Espero não ser acusado de racismo, por ter listado latinas em 1º, e deixado negras para o fim, a ver…
No The Guardian vem um artigo intitulado de “For Vanity Fair, the future is all white”. Isto devido ao facto da capa se relacionar com os Oscares e as actrizes que vão marcar a próxima década do cinema. Actrizes como a protagonista do Avatar, Zoe Saldana, poderiam perfeitamente constar da capa da revista, e eu sou completamente de acordo. Poucas actrizes me marcam tanto com a Hale Berry…
Seja lá como for, é um perfeito exagero dizer que isto é racismo. Não ponho as mãos no fogo pelas pessoas responsáveis pela escolha das actrizes da capa, não sei o que lhes terá passado pela cabeça, mas o resultado final não tem nada de racista. No entanto, a cronista que escreveu o artigo – e não vale a pena referenciar a raça dela, que por acaso é negra – faz uma constatação interessante:
“Bearing in mind it takes an army of people to put a Vanity Fair cover shoot together, this leaves us with two conclusions. Either no one noticed that their “stars of the next decade” cover effectively says there isn’t a single up-and-coming black actor on the planet they considered worthy of ruining the aesthetic of their alabaster line-up, or they did notice but simply didn’t care. I’m not sure which is worse.”
Tem a sua pertinência, mas não deixa de estar acompanhada por uma hiper-sensibilidade que não ajuda nada na luta pela causa da igualdade. Até é muito irritante. Ainda há pouco tempo a capa desta revista foi o Tiger Woods, com todo o voyerismo que gravita à volta da vida dele. A imprensa é pródiga em chapar a vida das pessoas nas capas de revistas e tablóides, acompanhada de moralismo e reprovação.
Incrível como não incluíram gajas feias nestas fotos. Ou sem 2 cm de espessura de maquilhagem…
Eu acho que a revista faz as capas para vender o mais possível. Se as pessoas só procuram revistas em que haja brancos, aí o problema é outro. Que há muitas pessoas racistas, isso é certo, agora que seja a maioria de modo a justificar uma espécie de complot caucasiano contra a raça negra. Aliás, acho que uma das moças é negra, mas quando fizeram os retoques com o Photoshop puseram a luminosidade no máximo. Pelo menos o gajo que carregou o equipamento. Estou mesmo a ver os gajos tirar fotos na Casa Branca “Preparem-se todos para a foto em grupo! Barack, tens um cordão desapertado.” Click.
Hoje foi o dia da tal cirurgia que referi no post anterior. Uma coisa simples, mas lá está, bisturis a menos de 10 kms de distância, invocam sempre a minha pieguice. Esqueci-me de perguntar ao médico se aquilo que na linguagem popular se chama de “terçolho”, corresponde ao que realmente eu tinha nos olhos, denominado de chalásio. É definido como:
“O chalásio é um processo inflamatório granulomatoso crónico que atinge as glândulas sebáceas. É um nódulo doloroso nas fases iniciais com grande inflamação e crescimento rápido e, mais tardiamente, torna-se indolor deixando de ter crescimento rápido. Habitualmente, está na espessura do tarso palpebral e pode ser interno ou externo. O interno está sob a conjuntiva e o externo sob a pele. ” (link)
Só mesmo eu para sofrer de coisas com este nome…
A pior parte da minha pieguice não é ficar mal-disposto, e branco como cal assim que começo a ouvir o tilintar das ferramentas que me vão abrir a pele. O pior disto é ficar assim à frente de enfermeiras giras…
Aquilo que eu pensava serem “terçolhos”, naquela atitude de olhar ao espelho, ver um inchaço estranho nos olhos, e por breves momentos, ao imaginar todas as causas e consequências dessa maleita, sentir-me uma personagem do célebre livro do Saramago, em mais um daqueles episódios de fatalismo, induzido pela minha fobia a tudo que seja hospital, cirurgia, bisturi ou agulha, afinal tem outro nome, que não popular “terçolho”, o qual não me recordo.
Não me recordo, porque assim que entrei no consultório do oftalmologista, ele olhou para os meus olhos, e com um profissionalismo que eu admiro principalmente em médicos, nem me deixou sentar e disse-me o que tinha, e disse:
- Isso vai ter que ser tirado, e tens logo um em cada olho.
A palavra “tirar” dita por um médica, causa-me sempre um aperto no estômago, que só tem paralelo com o sentido naquele instante entre “Queres namorar comigo?” e o “Não”. Ao menos os médicos ainda nos dão qualquer coisa para tomar e acalmar a dor, se for esse o caso. “Tirar” vêm sempre acompanhado com “cortar” e “picar”, uma família de palavras que me lembra a fragilidade do meu corpo. Mandou-me sentar na cadeira, com o queixo apoiado naquela máquina, da qual também não sei o nome, e também não quero saber, pois apesar da minha sede de conhecimento, dispenso qualquer familiaridade com estes aparelhos. Verificou, apenas por rotina, pois o problema estava mais do que diagnosticado.
- Amanhã ás 9 em ponto, ou depois só em Março. – disse-me com firmeza, confiança e austeridade, tal como eu espero que os médicos sejam sempre comigo.
- É melhor resolver já isso, então. – disse eu, com a esperança de aquilo acabar rápido e não remoer mais no assunto.
E depois, com o intuito de acalmar o meu visivelmente perturbado espírito, enquanto me explicava alguns detalhes da intervenção, estava a compara-la com uma ida ao dentista. Se ele soubesse o que eu já passei em várias cadeiras de dentistas, acho que dispensaria tal comparação. Só de me lembrar dos dentes do siso…
Tudo isto para dizer, que em relação a estas coisas, sou um piegas de merda.
Antes de mais, este post não sobre ficção-científica. Tratam-se de assuntos que agora não têm impacto (quase), mas que num futuro próximo são da maior importância, pois estão relacionados com questões éticas que nos afectam a todos. Há 20 ou 30 anos era uma coisa mais própria do cinema e dos livros do A.C. Clarke, mas cada vez é mais relevante. E como o escritor disse, “A tecnologia avançada, é indistinguível da magia”
Se recuarmos no passado, uns 200.000 anos, verificamos que a Humanidade evoluiu muito lentamente desde o seu aparecimento em África, os instrumentos utilizados na altura mantiveram-se relativamente primitivos, e foi apenas há 10.000 anos que o Homem descobriu a agricultura, a domesticação de animais, criando assim sociedades estáveis [6].
A partir daí, a criação de tecnologias que permitiram ao Homem viver com mais qualidade e mais tempo, foi cada vez mais rápida. A Revolução Industrial começou a abrir o caminho da produção em massa, e a investigação científica foi dispondo de instrumentos cada vez mais capazes, descobrindo curas para as doenças, e armas capazes de dizimar um país inteiro.
Chegados a este ponto, algumas perguntas se impõem. Até onde este progresso vai chegar? Há limites?
Pensando nisto, mais concretamente sobre o futuro do hardware, em 1965 o o então presidente da Intel, Gordon E. Moore calculou que o número de transístores dos chips teria um aumento de 100%, pelo mesmo custo, a cada período de 18 meses. Esta previsão ficou conhecida como Lei de Moore. No gráfico em baixo, pode-se constatar a evolução exponencial em performance e número de transístores dos processadores.
A partir desta lei, futuristas como Marvin L. Minsky, acreditam que o desenvolvimento descrito pela Lei de Moore, chegará a um limite denominado de Singularidade Tecnológica, um ponto onde o desenvolvimento é instantâneo. A partir daqui todo tipo de especulações pode ser feito. Surgem termos com o Tecnocalipse, ou seja, um Apocalipse tecnológico, uma coisa mais digno do Terminator II do que da ciência. No meio destes profetas do desastre, há teóricos como o Minsky que prevê a fusão entre homem e máquina lá para meados deste século. Parece algo de extraordinário, mas se pensarmos na evolução a que temos assistido neste últimos anos, a inteligência das máquinas poderá superar largamente a nossa em todos os domínios.
Outro gráfico interessante, tirado do maravilhoso livro do Carl Sagan – um cientista e excelente comunicador, uma pessoa que admiro muito e o professor que todos nós gostaríamos de ter -, Os Dragões do Eden, que mostra de uma maneira bastante elucidativa, as datas dos vários acontecimentos relevantes que aconteceram ao longo da história do Cosmos, sob a forma de um calendário cósmico.
Analisando o calendário, vemos que se o se Universo formou-se ás 00:00 no dia 1 de Janeiro, o homem moderno apenas apareceu ás 23:54 do dia 31 de Dezembro. Esta comparação dá-nos bem a ideia de como as coisas têm evoluído no tempo.
No vídeo abaixo, Ray Kurzweil – um inventor, futurista e uma pessoa fascinante, o mesmo que inventou os famosos sintetizadores , que são usados pelo Jordan Rudess dos Dream Theater – fala da perspectiva da Singularidade.
Tal como Minsky, Kurzwiel também acredita estes tipos, por mais incrível que seja o que eles dizem, não podem ser confundidos com profetas de rua, empunhando a Bíblia, a proclamar o fim do mundo. Acho que se deve levar a sério a questão da evolução tecnológica e as suas consequências. Kurzwiel também defende que o homem se irá tornar uno com as máquinas. A capacidade e dimensão dos computadores têm vindo a sofrer alterações dramáticas em pouco tempo, quando dantes necessitava de um edifício inteiro, actualmente, um computador cabe no bolso, e futuro próximo caberá dentro de uma célula. Os computadores entenderem música, o discurso humano, fazerem diagnósticos médicos, terem personalidade jurídica como dizia um professor meu, tudo isto isto são passos para a Singularidade. Ele dá um exemplo muito bom, imaginem a vida sem motores de busca como o Google. Foi apenas há cerca de 10 anos atrás que se começou a tornar uma prática comum. O passo fundamental será dotar os computadores de inteligência humana.
Estes avanços na ciência levam a um conceito extraordinário, o Transumanismo. Trata-se de uma filosofia emergente que analisa e incentiva o uso da ciência e da tecnologia, especialmente da bio-tecnologia, da neuro-tecnologia e da nano-tecnologia, para superar as limitações humanas, e assim, poder melhorar a própria condição humana [7]. O video abaixo contém uma explicação interessante e sóbria sobre o assunto.
Eu utilizei a palavra sobriedade, porque é muito fácil cair em devaneios num assunto destes. Já fomos confrontados com muitos tabus, a Terra não é plana, não é o centro do universo, que descendemos de primatas, e esta ainda não está bem digerida, e agora defrontam-nos com o mais dramático, podemos não ser o último passo da evolução. O transumanismo pode ser esse passo. Este movimento defende a supressão da dor, sofrimento, doença e morte.
A imortalidade seria uma catástrofe, não consigo ver as coisas de outra maneira. Teria de haver um controlo feroz da natalidade, e possivelmente ter-se-ia de de avaliar as pessoas que deveriam continuar a viver, segundo determinados critérios, a utilidade dessa pessoas para a sociedade, por exemplo. Mas isto até nem é o pior. O próprio principio em si é abominável. A efemeridade da vida é que a torna maravilhosa, a dor é que valoriza os momentos de prazer, sem isto, não nos sobra nada. Seriam seres cinzentos, insalubres e inócuos.
E o Amor? E se com essa tecnologia fosse possível manipular os processo químicos que nos levam a amar? Ás vezes dava-me jeito, mas isto dava poder absoluto a quem pudesse controlar os sentimentos de outra pessoa. Se calhar até nem era necessário, bastava controlar a mente através de implantes que eram comandados à distância.
Aqui surge a velha disputa entre aqueles que defendem a descoberta sem limites nem barreiras, e os que defendem que não se deve alterar o estado “natural” das coisas. Por um lado temos a possibilidade de curar imensas doenças, de acabar com elas até, de nos tornar mais felizes, estimulando o nosso cérebro, do outro lado temos o poder que um estado, por exemplo, poderia exercer sobre as pessoas. Como é que se pode resolver este conflito? As consequências podem ser gravíssimas. Era praticamente tornar o Matrix numa realidade. E o Matrix, poderá ser uma realidade. Com os tais implantes no cérebro, as experiências de realidade virtual poderão ser elevadas a outro nível, acima da realidade. Poderia-se ter experiências sexuais mirabolantes com actrizes porno, voar, ser um gladiador no Coliseu de Roma, mas estas eram as coisas boas.
Se houvesse pessoas que se começassem a melhorar as suas capacidades, acelerar a sua inteligência e capacidade física, haveria uma diferença enorme entre as pessoas “normais” e os transumanos. Houve um tipo no passado que tinha estas ideias, chamava-se Hitler…
Ray Kurzweil fala com mais detalhe sobre esta evolução no conhecido TED Conference.
Intriga-me a visão dos orientais sobre a evolução tecnológica, encaram isso com toda a naturalidade, o próprio Dalai Lama disse que encarnaria numa máquina se esta tivesse capacidade para isso. O Islão era a Meca da ciência e da sabedoria, enquanto a Europa mergulhava em obscurantismo. No entanto, o mundo árabe fechou-se na sua religião, e chegou ao ponto que nós sabemos. A discussão entre ciência e religião, no futuro tecnológico que tenho estado a especular, vai estar ao rubro. E espero que haja mesmo discussão. E séria. Que não venham com as habituais acusações de “velhos do restelo” àqueles que questionam a direcção que estamos a tomar. Também não poder ser uma “caça ás bruxas”. Penso que o grande salto evolucional será elevar a discussão a um patamar elevado.
Eu ponho a questão da seguinte maneira, estamos cada vez mais inteligentes, com melhores condições para ter uma boa qualidade de vida, mais longevidade, mas somos mais felizes? Tudo indica que a sociedade é cada vez mais deprimida, mais triste, mais só, mais desigual, mais desumana, mais artificial. Mas nós continuamos a inventar coisas novas. Cada uma substitui a anterior, cartazes e anúncios com sorrisos teatralizados com a promessa de uma vida melhor. Somos inundados todos os dias com publicidade a um admirável mundo novo, em que está tudo feito por nós. Apenas temos de nos sentar et voilá. Coisas cada vez mais pequeninas, cabem no bolsinho pequenino das calças, não ocupa espaço nenhum, e não tens de pensar. Está tudo feito por ti. Acima de tudo, deixa de pensar. Compra o que nós fizemos por ti. Tudo o que tu tens foi reduzido à escala microscópica, para que não embaraces os outros. Reduzimos-te a nada, a zero. Não tens como competir com os nosso cérebros brilhantes, que não dispersam o seu brilhantismo com questões acessórias, apenas calculam. É inevitável. Nem sequer penses nisso. Achas que vives melhor sem as comodidades que te oferecemos? Só tens de escolher a tua marca, a tua tribo, a identidade que criamos para ti. Bebe Coca-Cola, veste Armani, vê na Sony, Grundig, Philips, calça Nike, Reebok, é só escolher, os panfletos espalhados pelo chão dizem tudo, os mails, a televisão, os placares gigantes à entrada das cidades, as paragens de autocarros, as vitrinas das lojas, Modelo, Continente , Feira-Nova, AKI, promoções, descontos, cartões, filas de espera, filas de trânsito, ToysRus, regresso ás aulas, mais descontos, percentagens, números, Jumbo, Mini-Preço, IKEA, super-hiper-mega-mercados, cartões de crédito, Visa, Mastercard, Caixa, bancos, crédito, dinheiro, tão fácil comprar! Gente inteligente compra aqui! Escolhe, escolhe! Worten, Vobis, perfumes, Microsoft, Logitech, tudo branco, cantos arredondados, aquela marca que simboliza o Iluminismo dos tempos modernos, tudo a branco, como os hospícios, acalma as mentes perturbadas, branco e simples, iPod, IPhone, Itouch, ITunes, IWork, IPad, ILife, ai de ti que não tenhas um! És um ultrapassado, pertences a uma raça inferior de humanos. Não és mais feliz assim?! Não passas de um mal-agradecido. Vai viver para uma caverna, é isso que queres? Não tens como fugir, é inevitável.
Este último capítulo é apenas um pequeno desabafo, fujo um bocado ao assunto, são coisas que me passam pela cabeça quando deambulo por um desses 70 shoppings perto de si. Eu também faço parte da máquina. A tal que nos levará a aceitar as coisas de que falei. Também me alimenta e adormece os sentidos. É isso de que me mais me assusta. Não somos livres, e cada vez menos.
A humanidade é apenas uma criança a brincar com armas. Não temos maturidade para lidar com a nossa própria inteligência. A História tem-nos dado grandes lições, e nós não as aprendemos. O que é que nós pretendemos, alta-tecnologia a todo o custo, ou verdadeira felicidade?
Referências
[1] “What is the Singularity?”, Jonh Smart, 2001 (link)
[2] “How Long Before Superintelligence?”, Nick Bostrom, 1997 (link)
[3] “Will Robots Inherit the Earth?”, Marvin L. Minsky, 1994 (link)
[4] “Singularities and Nightmares: Extremes of Optimism and Pessimism About the Human Future”, David Brin, 2005 (link)
[5] “Examining the Society of Mind”, Push Singh, 2003 (link)
São duas moças holandesas, Aino Vehmasto e Janna Coomans, que fazem uma música que me atrai sem eu saber bem porquê. Digo isto porque o estilo musical é Indie/Pop, algo que sempre me afastou. Como já disse aqui, muitas das bandas Indie que ouvi, tratam os instrumentos co0m um certo desdém que me incomoda. Elas não. Os instrumentos apenas auxiliam no essencial que transmitem com a voz. Mas atenção, sabem tocar.
Há uma coisa que adoro, a doçura da voz delas. As vozes delas combinam na perfeição. Não são cantoras exímias, nem chegam ao nível da compatriota Anneke Van Giersbergen, mas são muito competentes. Elas têm aquela simplicidade, que muitas bandas procuram e não conseguem atingir.
Esta é uma cover de Radiohead, e eu não costumo (nem gosto) de dizer isto, mas gosto mais da interpretação delas do que o original. Começa logo pela voz. Eu não estou a criticar Radiohead, a versão original tem arranjos muito bons, mas elas conseguíram de uma maneira muito simples, captar a essência da música.
E não é que o gajo agora têm uma linha de terços, com o CR7 gravado em vez da santa e tudo? Não chegava já a azeiteirice dos sapatos de senhora, brincos, bonés e todas as quinquilharias que se possam imaginar? É impressionante, nem a Fátima ele perdoa…
Eu não quero ser fundamentalista em relação a isto, mas é um bocado patético. Faz-me um bocado de confusão a exploração da marca CR7, não é nada de pessoal contra ele, mas é algo que me parece tão superficial, tão vazio, uma das faces do capitalismo, a aniquilação da identidade individual por um impulso de compra. Pior do que isso, é explorar essa situação.
Em relação ao comércio que existe em Fátima, nem vale a pena comentar. A partir do momento em que aparece Fátima com néons à volta da cabeça, e uma imagem da Última Ceia com luzinhas a piscar, está tudo dito.
p.s. No site da loja, há mais umas preciosidades que o Zé Manel não dispensa.
Tiveram a palavra